Erisipela: sintomas, causas e tratamento da doença que deixa sequela e leva a internação

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Erisipela: sintomas, causas e tratamento da doença para evitar o linfedema e internação

A pele é o maior órgão do corpo humano e desempenha um papel vital na proteção contra a invasão de germes do meio ambiente. Como uma muralha de fortaleza, mantém nosso interior isolado e defendido. No entanto, a situação muda quando a integridade da pele é comprometida. Uma pequena lesão pode ser a porta de entrada para bactérias e o inicio de processos infecciosos como por exemplo a erisipela.

Segundo o Ministério da Saúdeerisipela é um processo infeccioso da pele, provocado por uma bactéria que se propaga através dos vasos dos vasos linfáticos. É especialmente causado pelo grupo de bactérias denominado Streptococcus, embora outras também possam estar relacionadas, como o Staphylococcus aureus.

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Erisipela: o que é, sintomas e tratamento da doença que leva a hospitalização

Doença costuma se manifestar nas pernas, mas também pode aparecer em outras partes do corpo, como a face, os braços ou o tronco. Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade. Alguns grupos, no entanto, estão em maior risco. É o caso dos diabéticos, obesos e portadores de deficiência da circulação das veias dos membros inferiores.

O assunto despertou interesse porque a doença levou Jair Bolsonaro pela segunda vez ao hospital. O ex-presidente ficou internado em Manaus e deve ser transferido ainda hoje para um hospital em São Paulo. “Estou baixado no Hospital Santa Júlia em Manaus (centro). Quadro de erisipela, ainda sem previsão de alta”, escreveu Bolsonaro em seu perfil em rede social às 16h30 de 5 de maio.

Bolsonaro já havia sido internado devido à erisipela, mesma infecção que o acometeu em novembro de 2022.

Para se instalar, a erisipela precisa de uma “porta de entrada” — que pode ser uma ferida ou mesmo uma frieira entre os dedos dos pés. No entanto, em algumas situações, ela se manifesta sem causa aparente.

Além de um ferimento na pele, outros fatores podem facilitar esse processo: ter tido erisipela anteriormente, cortes cirúrgicos, picada de inseto, alergias (como o eczema), situações que reduzem a imunidade (diabetes descontrolado, HIV, uso de determinados medicamentos), varizes e outros problemas venosos (insuficiência venosa crônica), edema ou obstrução linfática, síndrome nefrótica, obesidade, abuso de drogas intravenosas, doenças do fígado e gravidez

As pessoas infectadas podem desenvolver sintomas comuns a outros quadros de infecção, como mancha vermelha na pele (começa pequena, é delimitada e unilateral), calor, dor, inchaço, coceira e queimação locais, bolhas e vesículas (embora em alguns casos elas não apareçam). Pode ter mal-estar geral, febre moderada a alta, calafrios e aumento dos gânglios linfáticos (ínguas), dor de cabeça e náuseas.

Quanto às alterações na pele, as mudanças podem surgir logo nos primeiros dias. O local mais frequente é as pernas, mas as marcas podem aparecer também na face e no tronco. A intensidade varia de pessoa para pessoa, podendo ir da simples vermelhidão à formação de bolhas e feridas por necrose da pele.

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Erisipela: sintomas, causas e tratamento da doença para evitar o linfedema e internação

De acordo com a pasta da Saúde, a sequela mais comum é o linfedema, tipo de inchaço persistente na perna e tornozelo. Mas se tratada rápida e adequadamente, a erisipela não deixa graves complicações. Quando isso não ocorre, o quadro pode evoluir para a formação de abscessos, ulcerações superficiais ou profundas e trombose.

Quando o paciente é tratado logo no início da doença, as complicações não são tão evidentes ou graves. No entanto, os casos não tratados a tempo podem progredir com abscessos, ulcerações (feridas) superficiais ou profundas e trombose de veias. A sequela mais comum é o linfedema, que é o inchaço persistente e duro localizado principalmente na perna e no tornozelo, resultante dos surtos repetidos de erisipela.

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Erisipela: sintomas e tratamento da doença também conhecida por mal-do-monte ou ‘maldita’

O tratamento é feito com o uso de antibióticos para eliminar a bactéria. Busca-se também reduzir o inchaço, com a limpeza da pele, medicações de apoio e repouso para deixar as pernas elevadas.

Em geral, o tratamento dura de 7 a 14 dias e, dependendo da gravidade do quadro, após 48 horas do seu início, já poderá ser observada a melhora geral do paciente. Nos 10 a 15 dias posteriores, espera-se a recuperação total.

O segredo é ter hábitos de vida saudáveis para controlar os vários fatores de risco (varizes, diabetes, obesidade, etc.) relacionados à erisipela.

As crises repetidas de erisipela podem ser evitadas através de cuidados higiênicos locais, mantendo os espaços entre os dedos sempre bem limpos e secos, tratando adequadamente as frieiras, evitando e tratando os ferimentos das pernas e tentando manter as pernas desinchadas. Deve-se evitar engordar, bem como permanecer muito tempo parado, em pé ou sentado. O uso constante de meia elástica é uma grande arma no combate ao inchaço, bem como fazer repouso com as pernas elevadas sempre que possível.

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Na linguagem popular, a erisipela pode ser conhecida por diversos nomes, como ‘esipra’, ‘mal-da-praia’, ‘mal-do-monte’, ‘maldita’ ou ‘febre-de-santo-Antônio’. Independentemente de como é denominada, a erisipela é uma condição médica que requer atenção e compreensão.

A matéria possui apenas caráter informativo para aqueles que buscam entender melhor esta condição médica, seja para gerir a própria doença ou para ajudar a cuidar de alguém que a tenha.

É importante lembrar que somente médicos e cirurgiões-dentistas devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios.

Fotos: Reprodução