UnB ganha prêmio nacional por máscara que neutraliza vírus e bactérias

A Universidade de Brasília conquista o primeiro lugar no 17º Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Sistema Único de Saúde, na categoria Trabalhos Publicados, com o desenvolvimento de máscara com capacidade de neutralizar vírus e bactérias, para proteção dos profissionais de saúde e a segurança no ambiente hospitalar.
A conquista reforça a vocação da Universidade de Brasília para a inovação científica e tecnológica, com impacto direto na qualidade da saúde pública brasileira. O reconhecimento foi concedido ao trabalho da pesquisadora Marcella Lemos, professora da FUP e de sua equipe. A máscara, batizada de “Vesta”, foi desenvolvida com nanotecnologia à base de quitosana, uma substância extraída de cascas de crustáceos.
A 17ª edição do prêmio contou com 331 trabalhos inscritos, distribuídos em cinco categorias. Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, ressaltou a relevância da premiação para a valorização da produção científica nacional.
“É uma honra poder entregar esse prêmio em um evento que celebra toda a história brasileira na produção de conhecimento em saúde coletiva e que celebra, no limite, a história de todas as mulheres e homens que construíram um sistema único de saúde”, disse a secretária Fernanda De Negri do Ministério da Saúde.
Para a equipe vencedora da UnB, a conquista reafirma o papel da ciência pública na solução de problemas reais. “Esse reconhecimento é fruto de um esforço coletivo, de uma equipe multidisciplinar que trabalhou arduamente para encontrar uma solução para aquele momento tão desafiador que foi a pandemia. E o reconhecimento desse prêmio significa mais do que um prêmio. Significa o reconhecimento da sociedade de que a ciência traz avanços aplicáveis e que podem, de fato, ser utilizados pelo sistema público de saúde”, afirma Marcella Lemos.

Marcella Lemos lembra que o projeto nasceu em um dos períodos mais desafiadores da saúde pública recente. “Esse projeto começou com a emergência sanitária da pandemia da covid-19, em que não se tinha equipamentos de proteção individual suficientes para proteger aquelas pessoas que estavam na linha de frente. Recebemos um contato pedindo para fabricar alguma coisa que pudesse auxiliar nesse processo. Então, concebemos a ideia de fazer uma máscara com nanotecnologia, que depois virou um produto, que é a Vesta”.
A professora da UnB destacou que o desenvolvimento avançou rapidamente graças ao trabalho conjunto de pesquisadores de diferentes áreas. “A gente desenvolveu essa tecnologia até a comercialização dela, passando por todos os trâmites de aprovação na Anvisa e no Inmetro, em dois anos”. A máscara, hoje, já integra o arsenal de proteção utilizado por profissionais do Sistema Único de Saúde em diferentes regiões do país.
Segundo a professora Marcella Lemos, a iniciativa surgiu em um momento crítico, marcado pela escassez de equipamentos de proteção individual (EPIs). “Na ocasião da pandemia, havia uma necessidade urgente de EPIs, porque estava faltando. Fomos solicitados a desenvolver alguma tecnologia que pudesse contribuir com aquele contexto”, explicou. A partir dessa demanda, foi criado o Projeto Vida, grupo que deu origem à máscara. “Era um momento de valorização da vida, e foi ali que construímos a ideia da Vesta, uma máscara semifacial com nanotecnologia e uma camada intermediária com atividade virucida e bactericida”.

Além da filtragem, a tecnologia foi pensada para reduzir riscos durante a retirada do equipamento. “Existia um perigo grande no momento da desparamentação dos profissionais de saúde. Unimos a necessidade do momento, o desejo de contribuir e o nosso conhecimento para produzir algo realmente relevante para a sociedade”, destacou Marcella.
De acordo com a pesquisadora, o diferencial da máscara está na camada de quitosana, um composto bioativo natural, não tóxico e biocompatível. “Essa camada atrai e neutraliza os vírus, impedindo que eles se multipliquem”. Testes laboratoriais demonstraram que a proteção não se restringe à covid-19. “Ela também foi testada contra o H1N1, o vírus da gripe, e apresenta ação contra bactérias”, Marcella Lemos.
A professora falou que o foco sempre foi valorizar a biodiversidade brasileira e estudar como os compostos podem gerar produtos para a saúde, cosméticos e suplementação alimentar, especialmente a partir de espécies do Cerrado. lembrou que o trabalho está alinhado com a proposta do Laboratório de Compostos Bioativos e Nanotecnologia (LCBNano), da UnB. “Na escala nanométrica, os materiais ganham novas propriedades, aumentando a estabilidade e a eficiência”.
A premiação foi na categoria de artigo científico publicado em revista indexada, a partir do estudo que descreve o desenvolvimento e a caracterização da máscara pensada em oferecer proteção extra aos profissionais de saúde durante a pandemia. Somente com insumos nacionais, pesquisadores da Universidade de Brasília desenvolveram uma máscara capaz de inativar o novo coronavírus.
A Vesta é um respirador facial do tipo PFF2 (peça facial filtrante), sendo o primeiro com nanotecnologia de proteção contra vírus e bactérias. Sua barreira química é feita de quitosana, uma macromolécula extraída da carapaça de crustáceos, como camarão e lagosta. A máscara é descartável e de uso individual.
Fotos: Reprodução













