Douglas Rocha Almeida toma posse como diplomata do Ministério das Relações Exteriores

Douglas Rocha Almeida, de 31 anos, foi empossado como diplomata do quadro permanente no Ministério das Relações Exteriores nesta terça. Nascido em Brasília, ele disputou com outros 8.860 inscritos; uma disputa de cerca de 177 candidatos por vaga, concurso ofereceu 50 vagas em 2025.
No concurso, um dos mais difíceis no Brasil, o novo diplomata ficou em 47º lugar no ranking geral e em terceiro entre os candidatos negros, dentro das vagas reservadas. Douglas Almeida receberá remuneração inicial de mais de R$ 22 mil.
A cerimônia restrita, do terceiro-secretário da carreira de diplomata do quadro permanente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), ocorreu nesta tarde, no Instituto Rio Branco, em Brasília (DF).
Parabéns Douglas, sua trajetória é a prova de que a educação transforma vidas. Uma ferramenta eficaz para combater as desigualdades e para formar cidadãos conscientes e capazes de moldar um futuro melhor. Você é inspiração para muitos jovens. Quem acredita no seu potencial e persegue o que quer chega lá.
Antes da posse, o mais novo diplomata brasileiro, foi recebido pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, após a repercussão da história. No encontro, que aconteceu na semana passada, Douglas e sua mãe, Dona Cida, conheceram também a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Filho de uma diarista e um pedreiro, o ex-bolsista do ProUni Douglas Rocha, nasceu no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), na Asa Sul, aos 15 anos estudou no Centro de Ensino Médio Elefante Branco, no Plano Piloto e fez faculdade na Universidade Católica de Brasília, viabilizada pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Douglas mora com a família em Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal.
De família humilde, ele começou a trabalhar cedo. Dos 15 aos 27 anos, atuou como garçom em restaurantes, casas de festa infantis e eventos em geral, mesmo quando já tinha diploma de mestrado em Segurança e Defesa Internacional (além disso, ele tem formação superior em Letras/Espanhol e Relações Internacionais).
Para ele, a conquista é fruto da educação e de políticas públicas que o acompanharam ao longo da vida – mas também, de muita dedicação. Ao longo do caminho, não tinha espaço para pausas: estudava até mesmo durante o o trabalho. “Eu anotava o pedido do cliente, mas do lado eu já tinha anotado a revisão de coisas para faculdade”.
Ele conta que a ajuda e apoio da mãe Maria Aparecida Rocha foi fundamental para se formar em Relações Internacionais. “Ela fez só até a terceira série. E mesmo chegando depois do trabalho, além de ter de cuidar da casa, ela ainda tinha o cuidado de me ensinar um pouco com o que ela sabia”, relembra.
“Minha mãe trabalha como diarista desde os 13 anos. São 40 anos nessa profissão, que é digna, mas muito cansativa. Prometi para ela que, quando eu passasse nesse concurso, ela não precisaria mais trabalhar como diarista”, conta Douglas.
Para ele, a própria presença na diplomacia já carrega significado. “É importante que a gente tenha um Itamaraty mais plural, com mais mulheres, mais pessoas com deficiência, mais negros, para uma maior representatividade da população brasileira”.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Arquivo Pessoal













