São Sebastião: o santo de proteção, livramento e cura, é celebrado em 20 de janeiro

Bernadete Alves
Oração a São Sebastião para proteção e paz na Terra

Celebramos neste 20 de janeiro o Dia de São Sebastião, o santo de proteção, livramento e cura. O protetor valente, que intercede por nós em tempos de desafio. O soldado de Cristo que em sua fé, encontramos força e esperança.

No Brasil, é associado a Oxóssi, o orixá caçador, devido aos símbolos da flecha e da caça, especialmente no Rio de Janeiro e em rituais afro-brasileiros. É padroeiro do Rio de Janeiro, Ribeirão Preto e Brumadinho.

São São Sebastião é um santo mártir cristão, soldado romano do século III, é conhecido como símbolo de fé, coragem e martírio pelas flechas, honrado como um guerreiro de Cristo que, mesmo após o primeiro martírio pelas flechas, permaneceu firme em sua fé, sendo um dos santos mais populares no Brasil. 

Bernadete Alves
São Sebastião; a força diante das adversidades e protetor dos atletas e militares

É invocado contra peste, fome e guerra, e patrono de atletas, soldados, caçadores e da agricultura. A história de São Sebastião (256-286), é impressionante no princípio do cristianismo, quando os registros históricos eram parcos e, assim, as lendas sedimentadas com o passar dos séculos contribuíram para consolidar um imaginário ainda mais milagroso.

Eternizado por relatos hagiológicos antigos, logo passou a ser venerado pelos cristãos. Acredita-se que populações se livraram de epidemias pelo menos três vezes graças a intercessão de São Sebastião. Em 1567, em 20 de janeiro, dia de São Sebastião, durante um episódio histórico do Brasil colonial. Quando franceses ocupavam a baía de Guanabara e se tornaram aliados dos índios tupinambás, colonizadores portugueses começaram a articular uma maneira de expulsar os franceses que dominavam a região do Rio de Janeiro. Daí o santo ter se tornado padroeiro do lugar.

Bernadete Alves
20 de janeiro é Dia de São Sebastião: o santo de proteção, livramento e cura

No mesmo ano, o militar e governador-geral Estácio de Sá (1520-1567), considerado o fundador da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, mandou erguer uma igrejinha a ele, junto ao Morro Cara de Cão, atual bairro da Urca. Era pequena e simples. De taipa, coberta de sapé. A igreja dedicada ao padroeiro teria sido feita entre 1578 e 1598.

Em 1922 a Igreja de São Sebastião foi transferida para uma nova Igreja na Tijuca, a Igreja de São Sebastião dos Frades Capuchinhos. Para lá também foram transferidos em 1931 os restos mortais de Estácio de Sá, o marco de fundação da cidade, além do relicário com um fragmento do osso do mártir São Sebastião, juntamente com a imagem do santo trazida de Portugal.

Glorioso mártir São Sebastião, valoroso padroeiro e defensor da cidade do Rio de Janeiro, vós que derramastes vosso sangue e destes vossa vida em testemunho da fé em nosso Senhor Jesus Cristo, alcançai-nos do mesmo Senhor, a graça de sermos vencedores dos nossos verdadeiros inimigos: o Ter, o poder e o prazer, que fazem viver sem fé, sem esperança e sem caridade.

Protegei, com a vossa poderosa intercessão, os filhos desta Terra. Livrai-nos de toda epidemia corporal, moral e espiritual. Fazei que se convertam aqueles que, por querer ou sem querer, são instrumentos de infelicidade para os outros. E que o justo persevere na sua fé e propague o amor de Deus, até o triunfo final. São Sebastião, advogado contra a epidemia, a fome e a guerra, rogai por nós.

Rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai.

Bernadete Alves
São Sebastião: Mártir Que Desafiou o Imperador Ao Se Declarar Soldado de Cristo

Sebastião nasceu no ano de 250 em Narbonne, cidade do império romano situada no atual sul da França; os pais eram oriundos de Milão, na Itália, do século terceiro. São Sebastião, desde cedo, foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou por ele em relação à sua vida e à dos irmãos.

Ao entrar para o serviço no Império, como soldado, tinha muita saúde no físico, na mente e, principalmente, na alma. Não demorou muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do Império. Esse grande homem de Deus ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades soubessem – nesse tempo, no Império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os cristãos não adoravam as coisas, mas as três Pessoas da Santíssima Trindade.

Esse mistério o levava a consolar os cristãos que eram presos de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo testemunho que não podia ser explícito.

Bernadete Alves
São Sebastião: o santo de proteção, livramento e cura, é celebrado em 20 de janeiro

São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. 

Foi denunciado para o imperador, que com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco e muitas flechadas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensarem que estava morto, deixaram-no amarrado para ser devorado pelos animais e aves de rapina, segundo os documentos antigos.

O vaticanista Filipe Domingues, doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, explica que “A história é que o imperador mandou que ele fosse pendurado em um poste de madeira para ser torturado com flechadas até a morte”. “Daí vem a imagem popular até hoje, de um santo com as flechas pelo corpo”, acrescenta ele.

Bernadete Alves
o Sebastião: santo mártir do século III honrado como um guerreiro de Cristo

“A imagem de São Sebastião, tão conhecida de todos nós, revela um momento importante do martírio deste grande santo”, complementa Mengali. “A reprodução do martírio de São Sebastião, amarrado a uma árvore e atravessado por flechas, é uma imagem milhares de vezes retratada em quadros, pinturas e esculturas por artistas de todos os tempos.”

É possível traçar uma analogia, portanto, com a própria crucificação de Jesus. Nesse sentido, Sebastião teria sofrido também uma “paixão”, como se diz no meio religioso — isto é, um sofrimento que deveria resultar em morte. “Mas ele não morreu nessa tortura”, conta Domingues.

Bernadete Alves
São Sebastião: santo mártir cristão, soldado romano do século III é associado a Oxóssi (o orixá caçador)

“O suplício das flechas não lhe tirou a vida, resguardada pela fé em Cristo. As flechas de São Sebastião nos revelam a primeira fase das torturas que o santo enfrentou. Tendo como carrasco seus companheiros de exército, São Sebastião suportou várias flechadas em seu corpo sem renegar a fé”, diz ainda o padre Mengali.

“Irene de Roma [uma mulher cristã que depois também se tornaria santa] acabou recolhendo seu corpo com a finalidade de sepultá-lo. Mas ela percebeu que ele ainda estava vivo”, narra Maerki. “Ela o levou para a casa e começou a cuidar dele, tratando as feridas. E ele foi curado, uma cura considerada milagrosa“, conta o pesquisador.

Sebastião foi então aconselhado por seus amigos a fugir de Roma. “No entanto, ele decidiu procurar o imperador para reafirmar sua fé”, relata. “Acabou condenado novamente, desta vez para ser açoitado até a morte. Foi um santo que sofreu muito, praticamente um duplo martírio.”

Bernadete Alves
São Sebastião: Soldado da Igreja  e símbolo de fé e coragem

Isso teria ocorrido em 20 de janeiro de 286, daí a data que passou a ser celebrada pelo cristianismo. Domingues afirma que, para ter certeza de que desta vez ele seria morto, Diocleciano ordenou que o corpo dele fosse jogado na chamada cloaca máxima, o sistema de esgoto de Roma.

“A tradição diz que isso foi feito mas que o corpo teria ficado preso numa parte específica e, depois, recuperado pelos cristãos, acabou enterrado nas catacumbas fora do centro da cidade, onde costumavam sepultar alguns cristãos”, conta o vaticanista.

Bernadete Alves
Catedral Metropolitana São Sebastião – Rio de Janeiro

“Pouco antes do martírio, São Sebastião teria dito que ‘antes de ser oficial do imperador, sou um soldado de Cristo'”, diz Maerki. “A frase revela coragem, bravura. Mas é importante ressaltar que assim como a história de muitos mártires dessa época, sua vida está repleta de lendas que se misturam com os fatos e dados verídicos.”

Corajoso defensor do santo nome de Jesus, Salvador da humanidade. São Sebastião, que, pela vossa ardente fé em Jesus, enfrentastes as iras do imperador romano, suportando as torturas que vos infligiram vossos algozes e morrestes amarrado ao tronco de uma laranjeira, cravado de flechas, a vós eu dirijo minhas orações, confiando em vossos merecimentos perante Deus, Criador Todo-Poderoso. São Sebastião, peço-vos paz e concórdia entre os homens.

Vós que derramastes vosso generoso sangue, em prol da fé cristã, que jamais recuastes nos combates, no cumprimento do dever, sede propício ao meu pedido. A guerra ensinou-vos a amar a paz e por isso sois agora o patrono dos que desejam paz e harmonia na Terra.

São Sebastião, que tanto sofrestes em vosso suplício, sois o protetor da humanidade, o preservador da saúde, o médico que cura as feridas do corpo e da alma. Afastai de nós as epidemias, as pestes, as doenças contagiosas, as dores físicas e morais. São Sebastião, guerreiro destemeroso, rogai por nós. São Sebastião, glorioso mártir de Cristo, amparai -nos.

Bernadete Alves
São Sebastião: símbolo de fé, coragem e proteção

Fotos: Gregório Lopes, Divulgação Rio de Janeiro e Reprodução