Santa Catarina de Sena: chama viva do amor divino e doutora da Igreja

Neste 29 de abril a Igreja recorda a memória de Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, conselheira de Papas, mística e profetisa, ela marcou os rumos da História. Sua vida, pervadida por um inefável convívio com o sobrenatural, consumou-se num altíssimo vínculo de amor a Deus através do oferecimento como vítima pela purificação da Igreja.
“Se fores aquilo que Deus quer, incendiarás o mundo”, pregava a jovem leiga que falou com papas e serviu aos pobres como filha e se tornou Doutora da Igreja. Ela era a chama viva do amor divino, e enfrentou a escuridão com discernimento e fé inabalável, coração íntegro e propósito elevado.
“Quem está unido a Deus nunca está só.” Que seu exemplo nos inspire a viver com firmeza, amor e fidelidade ao Evangelho.

Dentro da espiritualidade de Santa Catarina podemos destacar três pontos: intimidade com Deus, piedade e arrependimento, e a Divina Providência. Em cada um deles, Catarina deixa-nos uma lição. Para chegarmos à perfeição, existe o que a Santa chama de “degraus do amor”, que são três: amor servil, amor interesseiro e, por último, amor amizade. O amor amizade reflete o mais sublime estado que o nosso relacionamento com Deus pode chegar.
A força da personalidade de Catarina, sublimada pela ação da graça, tornava-a cada vez mais cheia de zelo pelas coisas do Alto, sendo extraordinários os efeitos que o Divino Amor produzia nela. Por exemplo, foi também exorcista: com apenas um sinal da Cruz chegou a libertar uma alma vexada por ataques diabólicos. Seus santos gestos apavoravam os infernos e contribuíam para a salvação dos fiéis.


Numa visão, Nosso Senhor lhe ofereceu duas coroas: uma de rosas e outra de espinhos. Catarina, sem hesitar, escolheu a de espinhos, tomando-a como sinal da via de sofrimento do Calvário que Ele lhe traçava.
Essa vida de união com Deus atraiu muitos discípulos, que a acompanhavam nas viagens de apostolado e assistiam aos seus êxtases. Algumas pessoas reprovavam sua piedade e criticavam suas visões, considerando-as meros sonhos. Catarina, no entanto, tranquila em sua consciência, seguia fazendo o bem conforme as inspirações do Céu.
Neste dia dedicado a padroeira da Itália, o Papa Leão XIV, pediu que Santa Catarina de Sena seja um exemplo para os jovens! “Queridos jovens, apaixonem-se por Cristo, como Catarina, para segui-lo com fervor e fidelidade. Vocês, queridos doentes, mergulhem seus sofrimentos no mistério de amor do Sangue do Redentor, contemplado com especial devoção pela santa sienense. E vocês, queridos recém-casados, com o amor recíproco, sejam sinal do amor de Cristo pela Igreja”, foi o pedido do Papa Leão XIV no final da Audiência Geral desta quarta-feira, 29/04.
Catarina definia o Sucessor de Pedro, como “doce Cristo na terra”, às suas responsabilidades: reconhecia suas faltas humanas, mas sempre teve máxima reverência pelo Vigário de Jesus na terra, assim como por todos os sacerdotes. Após a rebelião de um grupo de Cardeais, que deu início ao cisma do Ocidente, Urbano VI a convocou em Roma.
Foi em Roma que a santa adoeceu e faleceu em 29 de abril de 1380, com apenas 33 anos, a idade de Jesus. As palavras do apóstolo Paulo “Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim” se encarnaram na vida de Catarina que, em 1375, recebeu os estigmas incruentos, revivendo semanalmente, – narram as testemunhas, – a Paixão de Cristo.

A pertença ao Filho de Deus, a coragem e a sabedoria infusa são os traços distintivos de uma mulher, única na história da Igreja, autora de textos como “O Diálogo da Divina Providência”, o “Epistolário” e a coletânea de “Orações”. Devido à sua grandeza espiritual e doutrinal, Paulo VI, em 1970, a proclama Doutora da Igreja.
Apaixonada por Jesus Cristo, Catarina escrevia: “Nada atrai o coração de um homem como o amor! Por amor, Deus o criou; por amor, seu pai e sua mãe deram-lhe a sua substância; ele foi feito para amar.”
Desde cedo, Catarina Benincasa demonstrou um amor radical por Deus. Nascida em Siena, em 1347, fez ainda criança o voto de consagrar sua vida a Cristo, enfrentando a oposição da família com firmeza e determinação. Ingressou na Ordem Terceira Dominicana e passou a viver intensamente a fé, unindo oração profunda e caridade ativa, especialmente junto aos pobres, doentes e necessitados.
Em um período marcado por crises, guerras e pela divisão da Igreja, Catarina destacou-se como conselheira espiritual e voz profética. Escreveu cartas a autoridades civis e religiosas, exortando à conversão, à paz e à reforma da Igreja. Teve papel decisivo no retorno do papado de Avinhão para Roma, demonstrando coragem e amor à verdade, sempre com respeito à autoridade da Igreja.
Sua vida foi marcada por experiências místicas profundas, incluindo a chamada “união espiritual com Cristo” e os estigmas. Catarina viveu de forma intensa a união com Jesus e afirmava: “Não nos contentemos com as coisas pequenas. Deus quer coisas grandes!”
Após a rebelião de um grupo de cardeais, que deu início ao cisma do Ocidente, Urbano VI a convocou em Roma. Ali, a santa adoeceu e faleceu em 29 de abril de 1380, com apenas 33 anos.
A pertença ao Filho de Deus, a coragem e a sabedoria infusa são os traços distintivos de uma mulher, única na história da Igreja, autora de textos como “O Diálogo da Divina Providência”, o “Epistolário” e a coletânea de “Orações”. Paulo VI, em 1970, a proclamou Doutora da Igreja.
Conheça a história da Santa

Catarina Benincasa nasceu em 1347, em Siena, na Itália e por isso se tornou popularmente conhecida como Santa Catarina de Sena (ou Siena). Seus pais, Mona Lapa e Jacomo Benincasa tiveram 25 filhos. Muitos não sobreviveram por muito tempo, devido às condições do período, especialmente pela peste negra. A Europa vivia chagada pelas guerras e pelas doenças.
Desde pequena Catarina Benincasa, dedicou a sua infância a Deus. Ainda criança fez o voto de consagrar sua vida a Cristo, enfrentando a oposição da família com firmeza e determinação. Aos 7 anos, consagrou a Deus a sua virgindade, juntamente a presença espiritual da Virgem Maria. Nessa época, ela já relatava visões nos seus momentos de oração.
Por volta dos 15 anos, por meio de um sonho, São Domingos apareceu-lhe, resultando na sua entrada para a Ordem Terceira Dominicana. Ali passou a viver intensamente a fé, unindo oração profunda jejum, mortificações corporais constantes e caridade ativa, especialmente junto aos pobres, doentes e necessitados.
Catarina aprendeu a ler e escrever já adulta, ainda assim com dificuldades. Se dedicou a uma intensa atividade caritativa entre os últimos; em uma Europa, dilacerada por pestes, guerras, escassez e sofrimentos, ela se tornou um ponto de referência para homens de cultura e religiosos, que, por frequentarem assiduamente a sua casa, foram chamados “catarinados”. Os mais íntimos entre eles a chamavam “mãe e mestra” e se tornaram descritores dos seus muitos apelos às autoridades civis e religiosas: exortações a assumir suas responsabilidades, às vezes, repreendidos e convidados a agir, mas sempre expressos com amor e caridade.
Entre os temas enfrentados nas missivas destacam-se: a pacificação da Itália, a necessidade de cruzadas, a reforma da Igreja e o retorno do Papado a Roma, para o qual a santa foi determinante, por se encontrar, na Provença, em 1376, com o Papa Gregório XI.
Ela escreveu mais de 380 cartas destinadas aos anônimos, reis e papas, evangelizando por todo o território romano. Naquele momento, havia o cisma católico e, com isso, a Igreja era influenciada pela política francesa. Graças a essas cartas, ela conseguiu que o verdadeiro Papa, Urbano VI, assumisse o governo da Igreja e regressasse à Roma.
A Peste Negra assolou a Europa, fazendo um terço da população desse continente como vítimas. Diante dessa situação, Catarina saiu de sua clausura e se dedicou a cuidar dos doentes, também por meio de orações. Seu exemplo gerou a conversão de várias pessoas.
Ao final de sua vida, ela teve a graça de receber os estigmas de Cristo, e uniu-se inteiramente a Ele. Seus últimos dias contaram com diversas provações. Instantes antes de sua morte falou: “Partindo do corpo eu, na verdade, consumi e entreguei a minha vida na Igreja e pela Igreja, que é para mim uma graça extremamente singular”.
Catarina morreu em 29 de abril de 1380. Seu corpo foi sepultado na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma, sob cujo altar-mor repousam hoje seus restos mortais. Pio II a canonizou em 1461 e Paulo VI concedeu-lhe o título de Doutora da Igreja. Foi declarada também padroeira da Itália e da Europa.

Oração a Santa Catarina de Sena
“Ó notável maravilha da Igreja, serva virgem, que, por causa de suas extraordinárias virtudes e pelo que conseguistes para a Igreja e a Sociedade, fostes aclamada e abençoada por todos, volte teu bondoso olhar para mim, que confiante na tua poderosa proteção pede, com todo o ardor da afeição e suplica a ti, que obtenha pelas tuas preces o favor que ardentemente desejo (dizer aqui a graça desejada).
Com a tua imensa caridade, recebestes de Deus os mais estupendos milagres e tornou-se a alegria e a esperança de todos nós, que oramos a ti e rogamos ao teu coração tu recebestes do Divino Redentor.
Serva e virgem, demonstre de novo o seu poder e da sua caridade; e o seu nome será novamente exaltado e abençoado; e consiga para nós a graça suplicada, com a eficácia de sua intercessão junto a Jesus, e ainda a graça especial de que um dia estejamos juntos no Paraíso em eterna alegria e felicidade. Amém.”
Santa Catarina de Sena, rogai por nós!
Fotos: Reprodução













