Brasil atinge maior Índice de Desenvolvimento Humano da história, diz ONU

Bernadete Alves
Brasil atinge maior Índice de Desenvolvimento Humano da história

O Brasil atingiu pela primeira vez o patamar “muito alto” de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), de acordo com a ONU Organização das Nações Unidas. O país avançou em todos os parâmetros medidos, mas desigualdades entre regiões, gênero e raça persistem.

A pesquisa Radar IDHM foi divulgada nesta terça-feira (26), pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e se refere a 2024. Na escala, que vai de 0 a 1, o país saiu de 0,744 ponto, registrado em 2012, para 0,805, o maior já marcado. Quanto mais perto de 1, melhor o índice.

“O Brasil da segunda década do século 21, definitivamente, não é o Brasil de 30 anos atrás”, diz o relatório. “As evidências indicam uma evolução positiva do IDHM [o ‘M’ se refere a ‘Municipal’] e seus subíndices, situando o país, alguns estados, o Distrito Federal e a maioria das regiões metropolitanas no patamar de muito alto desenvolvimento humano.”

Bernadete Alves
Brasil atinge maior Índice de Desenvolvimento Humano da história, diz ONU

O marcador avalia os parâmetros de saúde e longevidade, educação e geração de renda, de acordo com a cor (negro e branco) e o sexo (mulher e homem). A publicação considera os últimos 13 anos – de 2012 a 2024.

Entre os três indicadores, o melhor deles segue sendo saúde. O país já tinha nível de desenvolvimento muito alto no quesito “longevidade” em 2012, com pontuação de 0,829, e subiu para 0,860 em 2024 —igual ou maior do que países considerados desenvolvidos. Segundo a organização, o Sistema Único de Saúde (SUS), tem papel direto nesse desempenho.

O que mais cresceu, no entanto, foi educação. Em 2012, este era o pior indicador nacional, com pontuação de 0,679, e agora se tornou o segundo, com 0,798, aumento superior a 0,1 ponto.

O programa Bolsa Família tem papel fundamental neste segmento, mais do que os efeitos de distribuição de renda, avaliam os organizadores do estudo. A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou, nesse contexto, a concessão do Bolsa Família. “É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira.”

Bernadete Alves
Bolsa Família tem papel fundamental no maior IHD no Brasil’, diz coordenadora do Pnud Brasil

A economista Betina Barbosa, lembrou que o programa criado em 2003, começa a produzir efeitos justamente quando o primeiro grupo de beneficiários completa um período satisfatório de ensino, do fundamental e médio. 

Segundo Betina, a melhoria dos indicadores de educação nesse período é mais significativa entre famílias de renda mais baixa, em especial, as negras. “É aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. Então, a política pega um grupo que estava excluído e bota esse grupo para dentro do diálogo do desenvolvimento humano. Isso acontece a partir de 2016 de forma ascendente.”

Bernadete Alves
Betina Barbosa, coordenadora do Pnud Brasil, apresenta a pesquisa Radar IDHM

As melhorias não conseguiram superar, no entanto, a desigualdade. Apesar de crescer, o país continua registrando diferenças relevantes entre regiões, gêneros e raças, chegando a registrar patamares diferentes de desenvolvimento, a depender do recorte usado.

Homens têm nível de desenvolvimento muito alto (0,802), enquanto mulheres têm alto (0,798). Pessoas brancas têm nível de desenvolvimento muito alto (0,851), enquanto negras têm alto (0,774).

O Distrito Federal, maior IDH entre os entes, tem nível de desenvolvimento muito alto (0,866), enquanto o Maranhão é o pior, com alto (0,745). A renda também é extremamente desproporcional. Um cidadão branco do Distrito Federal tem uma renda média quatro vezes superior à de um cidadão negro do Maranhão: de R$ 1.987 para R$ 446,20. Isso impacta diretamente na expectativa de vida, por exemplo.

Bernadete Alves

Os resultados do Radar IDHM foram calculados com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a equipe técnica e pesquisadores da Fundação João Pinheiro.

Fotos: Reprodução