Cientistas estudam proteína multiplicadora do novo coronavírus

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Cientistas estudam proteína multiplicadora do novo coronavírus

O novo coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19  possui 27 proteínas em sua composição e estudá-las têm sido um desafio para os cientistas de várias partes do mundo.

Os especialistas garantem que o estudo é fundamental para a formulação de fármacos para tratar o novo coronavírus, causador da doença da Covid-19 que está matando milhares de pessoas em todo o mundo.

Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos,e publicado na revista científica Nature,avaliou como o novo coronavírus infecta humanos. Os pesquisadores modelaram em 3D, e em escala atômica, os espinhos de proteína do vírus e as células humanas às quais eles se ligam. Os receptores do corpo humano em questão são chamados ACE-2. Quando o vírus entra no corpo e encontra esses receptores, ele se conecta a eles e começa a se replicar.

 

A análise mostrou que os espinhos de proteína usados pelo vírus o tornam cerca de quatro vezes mais forte do que o vírus sars, da mesma família de vírus. O sars se propagou em 2002 e foi erradicado em dois anos. O estudo americano indica ainda que o novo coronavírus pode entrar no corpo pelo nariz ou pela boca e suas partículas se ligam a células do sistema respiratório. Poucas partículas do vírus são necessárias para infectar uma pessoa.

O estudo mostra também que a origem do vírus está relacionada a morcegos e pangolins. Não se sabe, porém, se o vírus veio diretamente dos morcegos para os humanos ou se o salto de espécies teve o pangolim como intermediário.

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O professor de virologia da Universidade de Nottingham, Jonathan Balla, diz que o estudo da Universidade de Minnesota,  é mais uma luz no caminho da erradicação do novo coronavírus. “O estudo fornece uma razão para essa diferença: o espinho de proteína da superfície no Sars-CoV-2 é capaz de se ligar de forma mais eficiente à proteína da superfície celular, chamada ACE-2, que atua como porta de entrada para o vírus. Essa ligação aprimorada pode permitir que o vírus infecte o nariz e a garganta com mais eficiência, onde se pensa que os níveis de ACE-2 são mais baixos”, disse Jonathan Ball,  ao The Guardian.

Pesquisadores americanos do Centro de Genômica Estrutural de Seattle para Doenças Infecciosas e do Laboratório Nacional do Noroeste Pacífico, informaram por meio de comunicado,  que estudar a estrutura dessas proteínas em 3D é essencial para a criação de medicamentos contra o microrganismo.

O pesquisador Garry Buchko, afirma que as moléculas são as responsáveis por entrar em contato com as células humanas, invadi-las e destruí-las. “Precisamos entender o papel que cada uma [dessas proteínas] desempenha ao permitir que o vírus ‘sequestre’ as células hospedeiras humanas e se replique”.

Para mapear essas proteínas, os cientistas americanos  utilizaram um método conhecido como cristalografia de raios-X, que produz um registro em nível atômico, e a técnica de espectroscopia de ressonância magnética nuclear. Descobrir como são essas estruturas ajuda os cientistas a desenvolverem melhores tratamentos ou vacinas contra uma série de patógenos. O estudo foi publicado na revista Galileu. 

Buchko e seus colegas já ajudaram na criação de drogas contra a tuberculose, o ebola e a gripe, por exemplo.

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Lübeck, Alemanha

Pesquisadores da Universidade de Lübeck, na Alemanha, recriaram em 3D a arquitetura da principal protease do novo coronavírus (Sars-CoV-2), usando um aparelho de raio-X conhecido como Bessy II. O estudo publicado na revista Science revela que a proteína está envolvida diretamente na reprodução do vírus.

Com a descoberta, no entanto, uma análise dessa arquitetura pode permitir o desenvolvimento de medicamentos que inibem justamente a proliferação do microrganismo. A abordagem, considerada promissora na luta contra o avanço do novo coronavírus, é tida como útil para barrar sua reprodução.

Conhecendo a estrutura, os pesquisadores conseguem localizar os “pontos de ataque” para testar as substâncias em desenvolvimento. Segundo os cientistas, a arquitetura 3D fornece pontos de partida concretos para o desenvolvimento de medicamentos ativos ou inibidores.

Estes pesquisadores alemães da Universidade de  Lübeck, já desenvolveram um inibidor contra o vírus da SARS durante a pandemia de 2003. Em 2016, eles conseguiram também decifrar uma enzima do vírus Zika.