Março Azul: campanha de conscientização do câncer colorretal

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Anatomia do Aparelho Digestivo Inferior

A campanha Março Azul-Marinho encabeçada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – Sobed, o Conselho Federal de Medicina – CFM, a Associação Médica Brasileira – AMB e mais nove sociedades de especialidades médicas, tem objetivo de conscientizar sobre o diagnóstico precoce e prevenção para diminuir os índices do câncer colorretal.

O câncer colorretal tem prevenção e chances de cura com diagnóstico precoce por meio da   A escolha do mês coincide com o Dia Nacional de Combate ao Câncer de Intestino celebrado no dia 27 de março no Brasil como símbolo de prevenção e tratamento da enfermidade.

Muito além do diagnóstico precoce feito por um proctologista, o método endoscópico chamado colonoscopia, pode identificar  lesão precursora do câncer: o pólipo, que é um tumor benigno. Além de identificar e remover os pólipos, lesões consideradas pré-malignas, este procedimento avalia toda a mucosa do intestino grosso e é usado para investigação e acompanhamento dos pacientes.

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Colonoscopia, método endoscópico para identificar lesão precursora do câncer

O câncer colorretal é um dos tumores malignos mais recorrentes no Brasil. Neste ano, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – Sobed, o Conselho Federal de Medicina – CFM, a Associação Médica Brasileira – AMB e mais nove sociedades de especialidades médicas lançaram a campanha Março Azul-Marinho, seguindo a campanha internacional de conscientização do câncer colorretal. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Brasil, ele é o segundo mais comum em mulheres e o terceiro entre os homens, logo após do câncer de próstata e de pulmão. Além disso, a estimativa de novos casos anuais ultrapassa a faixa dos 40 mil.

Assim como vários outros tipos de tumores, o câncer colorretal também pode ser silencioso. Mas em alguns casos o paciente apresenta sintomas, como sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes ou massa abdominal. Como esses sinais também podem indicar outros problemas de saúde no trato digestivo, é importante que a pessoa procure um médico para realizar o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado.

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Importância do exame precoce para diagnosticar Câncer Colorretal e Pólipos

Até pouco tempo atrás, o recomendado era que a colonoscopia, procedimento responsável por identificar possíveis alterações no intestino grosso e reto, começasse a ser feita somente após os 50 anos. No entanto, essa diretriz foi repensada e acabou sendo modificada pela Sociedade Americana do Câncer em 2018. Agora, grande parte dos médicos já orienta seus pacientes a realizar o exame preventivo a partir dos 45 anos.

“Os estudos mais recentes mostraram que ao diminuir a faixa etária para a realização da colonoscopia, você consegue aumentar expressivamente o número de diagnósticos precoces. Isso acaba resultando em uma diminuição da taxa de mortalidade pela doença, já que as chances de cura no estágio inicial são de 90%”, destaca Ricardo Cembranelli, oncologista do Grupo Onco-Procto do Hospital Felício Rocho.

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Oncologista Ricardo Cembranelli, do Grupo Onco-Procto do Hospital Felício Rocho

O médico Ricardo Cembranelli também lembra que esse não é um exame que precisa ser feito constantemente. Caso a primeira colonoscopia não apresente nenhuma alteração, ela pode ser repetida com um espaço de até cinco anos. Já as pessoas que possuem histórico familiar ou que tenham constatado a formação de algum tipo de pólipo, devem buscar a orientação de um especialista para analisar a situação e indicar a periodicidade do exame.

Tratamento

O oncologista Ricardo Cembranelli conta que hoje existem várias formas de tratar o câncer colorretal. Se a doença estiver em estágio inicial, geralmente é realizada apenas uma cirurgia de remoção do tumor. Já nos casos mais avançados pode ser indicada também sessões de radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia. No entanto, O médico destaca que o melhor remédio de todos ainda é a prevenção “Não existe segredo para se ter uma boa saúde, tudo passa por manter hábitos saudáveis e consultar regularmente o seu médico”.

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Hábitos saudáveis

Outra forma de prevenir o câncer colorretal é a adoção de hábitos saudáveis, como não fumar, praticar atividades físicas e se alimentar bem. Segundo pesquisa realizada por cientistas do Centro Médico Tel-Aviv, em Israel, a dieta mais adequada para quem quer diminuir as chances de desenvolver esse tipo de tumor é a mediterrânea. Baseado no consumo de alimentos frescos e naturais, esse cardápio é bastante rico em frutas, verduras, sementes, oleaginosas, grãos, peixes e aves.

“A dieta mediterrânea pode ser uma boa opção justamente porque conta com um baixo consumo de alimentos que podem causar inflamação no trato gastrointestinal o que, a longo prazo, corre o risco de ser cancerígeno. Por isso, orientamos as pessoas a não ingerirem mais do que 500g carne vermelha por semana; a evitar ao máximo todos os tipos de bebidas açucaradas, além de não comer alimentos processados, entre eles salsicha, mortadela, presunto, bacon, blanquet de peru e salame”, recomenda  o Dr. Ricardo Cembranelli.

Especialistas apontam que estilo de vida saudável e exames preventivos ajudam a reduzir os índices de doença.

Fotos: Divulgação