MinC promove seminário internacional sobre memória e democracia, no Palácio do Itamaraty

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Seminário Memória e Democracia mostra a importância de aprender com o passado e projetar um novo futuro

O Palácio do Itamaraty foi palco do Seminário Internacional Memória e Democracia que tem como objetivo promover uma discussão sobre a democracia, sua história, significado na vida política, social e na imaginação cultural dos brasileiros.

A iniciativa busca fomentar debates sobre o significado da democracia, seus limites, as mudanças que essa definição sofreu ao longo do tempo, como ela se desenvolveu historicamente no Brasil, os movimentos que a moldaram e qual o destino da democracia em nosso país.

O evento contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do ministro das Relações Exteriores, Embaixador Mauro Vieira, do secretário-Executivo do MinC, Márcio Tavares, da presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fernanda Castro, e do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass.

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Ministra Margarete Menezes ao lado da ministra Nísia Trindade e do ministro Mauro Vieira, na abertura do Seminário Internacional Memória e Democracia

Também participaram do primeiro dia do Seminário, a ministra da Saúde, Nísia Trindade; a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga; e a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg, ex-primeira-dama do Distrito Federal.

Antes da mesa de abertura foi exibido um vídeo inédito sobre os atentados às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 janeiro deste ano. Na sequência, os participantes acompanharam uma performance poética com a artista e mestre em Direitos Humanos Daiara Tukano.

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Artista e mestre em Direitos Humanos Daiara Tukano, na abertura do Seminário Memória e Democracia no Palácio do Itamaraty

A ministra Margareth Menezes, sobre os ataques de 8 de janeiro, comentou: “Temos uma democracia jovem, precisamos ancorá-la, fortalecê-la, afirmá-la, aprofundá-la e nos aproximarmos dos valores democráticos. A nossa história política social recente nos encoraja a criar o projeto do Museu, um espaço de produção de cultura e reconhecimento capaz de apresentar e contribuir com o entendimento sobre a história da democracia no Brasil. E sobre diversos momentos em que os brasileiros se mobilizaram com o objetivo de implantar. Que o Museu da Democracia seja um marco para a nossa sociedade. Esse é um projeto e um compromisso da nossa gestão. Contra toda e qualquer forma de ditadura, para que isso nunca mais aconteça”.

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Ministra Margarete Menezes e ministro Mauro Vieira, na abertura do Seminário Internacional Memória e Democracia, no Palácio do Itamaraty

O Embaixador Mauro Vieira falou da importância de valorizar e preservar a memória, democracia e cultura do nosso país. “Ao lembrarmos e refletirmos sobre nossa história, somos capazes de reconhecer nossos erros, celebrar nossas conquistas e, acima de tudo, aprender com nossas experiências. Não há democracia sem cidadania, sem cultura ou sem história. O seminário Memória e Democracia é um convite à reflexão sobre essa responsabilidade e nosso dever como governo, como sociedade, de valorizar e preservar a nossa cultura, nossa memória e, consequentemente, a nossa democracia”, afirmou o ministro das Relações Exteriores.

“Não se constrói democracias sólidas com o alicerce do esquecimento, é somente com a memória da construção e das violências históricas pelas quais a nação brasileira se constrói”, disse o secretário-Executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares.

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Márcio Tavares, Secretário-Executivo do MinC, na abertura do Seminário Memória e Democracia no Palácio do Itamaraty

O presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao MinC, Leandro Grass, enfatizou a importância da política de memória para a democracia. “O 8 de janeiro não é um fato apartado de uma trajetória no nosso país de não tratamento dos traumas que nós vivenciamos, o trauma da escravidão, da violência contra os povos indígenas, o não tratamento do trauma dos negacionismos que nós vivenciamos ao longo do tempo, da ditadura militar, do avanço da extrema direita nos últimos quatro anos. Daí a importância da política cultural, da política museal, da política do patrimônio cultural, da formação cultural”, disse. “Fazer política de memória é, obviamente, ligado ao que aconteceu, não para exaltar, mas acima de tudo para que não se repita. Para isso serve a política de memória. Para que a gente aponte para o futuro. E que esse futuro não nos faça vivenciar novamente todas essas violências e esses traumas passados”.

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Leandro Grass, presidente do Iphan, na abertura do Seminário Memória e Democracia no Palácio do Itamaraty

A primeira mesa de discussão “Democracia no Brasil: Memória, História, Significado”, começou às 16h30 com a participação da historiadora e antropóloga, professora da Universidade de São Paulo (USP), Lilia Schwarcz, do professor adjunto da Universidade Harvard, Miguel Lago, da historiadora e cientista política e professora de história na UFMG, Heloisa Starling, da representante da Rede Museologia Kilombola, Carolina Rocha Teixeira, e de Álvaro Ahumada San Martín, do Museu de Memória e Direitos Humanos do Chile, e mestre em Direitos Humanos e artista, Daiara Tukano. A mediação ficará a cargo do secretário-Executivo do MinC, Márcio Tavares.

O seminário busca fomentar debates sobre o significado da democracia, seus limites, as mudanças que essa definição sofreu ao longo do tempo, como ela se desenvolveu historicamente no Brasil, os movimentos que a moldaram e qual o destino da democracia em nosso país.

É um convite para as entidades e indivíduos de diversas áreas da cultura e do conhecimento debaterem o futuro Museu da Democracia brasileira. Os resultados e conclusões das discussões serão documentados em um relatório que abordará as possíveis linhas narrativas para o museu, seu escopo geral e potenciais projetos museológicos.

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Fernanda Castro, presidente do Ibram, na abertura do Seminário Memória e Democracia no Palácio do Itamaraty

O Museu da Democracia brasileira tem como objetivo resgatar e registrar a educação para a memória e para a construção da cultura democrática do país. A proposta pretende combinar descoberta, aprendizado e troca de conhecimentos que contribuam para o entendimento sobre a história democrática do Brasil e sobre os diversos momentos em que brasileiros e brasileiras se mobilizaram com o objetivo de implantar, defender e expandir a democracia em nosso país.

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Seminário Memória e Democracia mostra a importância de aprender com o passado e projetar um novo futuro

O Seminário continua nesta sexta-feira às 10 horas com o debate “Democracia para quem? Uma nova agenda de Direitos”, com a participação de Ynaê Lopes dos Santos – historiadora/UFF. “Racismo no Brasil”; André Basbaum – jornalista e diretor de conteúdo do Grupo Bandeirantes. “Desinformação e Democracia”; Édson Nóbrega – cofundador da Redes da Maré. “Redes comunitárias, mobilização democrática e efetivação de direitos: o caso Museu a Céu Aberto da Maré”; Dulce Pandolfi – Socióloga. Universidade da Cidadania/UFRJ. “Por que Democracia?”. A apresentação e mediação está a cargo do Ibram.

Durante o dia o público participa de debates, mesas, performances e apresentação musical.

O encerramento será às 18 horas com apresentação musical “Sete mulheres pela independência do Brasil”:  Zélia Duncan e Ana Costa. Musicistas: Geiza Carvalho, Jessica Zarpey, Giselle Sorriso.

A realização do evento está a cargo da Subsecretaria de Espaços e Equipamentos Culturais (SEEC) do MinC, Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Presidência da República, com apoio da Secretaria Geral e Ministério das Relações Exteriores.

A curadoria também é assinada pela Subsecretaria de Espaços e Equipamentos Culturais do MinC, Cecília Gomes de Sá, pela coordenadora do Projeto República: Núcleo de Pesquisa, Documentação e Memória, Marcela Telles e pela coordenadora-Geral de projetos Izabel Torres (MinC).

Fotos: Filipe Araújo/ MinC e Reprodução