Fernando Morais, escritor e jornalista, é o 1º brasileiro a assumir a Inter Press Service

O jornalista brasileiro Fernando Morais, consagrado na arte da biografia, passa a escrever uma uma nova história na carreia. Ele é o primeiro brasileiro a comandar a Inter Press Service (IPS), uma agência internacional de notícias com 59 anos de serviços, com escritórios e correspondentes nos cinco continentes.
Ele foi eleito por unanimidade para mandato de 3 anos numa agência de notícias que tem por meta levar informação sobre grupos marginalizados ao mundo inteiro. A IPS tem sede em Roma e deve ser transferida para Madri.
Nesta semana ele foi recebido pelo presidente Lula cumprimentou o escritor pelo novo cargo. “Fico muito feliz em ver agora o meu amigo e biógrafo dirigindo uma agência internacional dessa relevância”, afirmou o presidente. O jornalista Carlos Tibúrcio, ex-Coordenador da Equipe de Discursos do Presidente Lula, também participou da audiência como diretor da IPS Latino-Americana e Assessor Especial de Fernando Morais na Presidência da Agência.

Fernando Morais tem carreira premiada na imprensa brasileira, incluindo três vezes o Esso e quatro vezes o prêmio Abril de jornalismo. Em 2001, recebeu o prêmio Jabuti pelo livro Corações sujos. Suas obras já chegaram a 38 países. Entre os trabalhos, A Ilha, Olga, Chatô: o Rei do Brasil e Lula, volume 1. O volume 2 sai em março, segundo o escritor.
O novo presidente da IPS nasceu em Mariana, no Estado de Minas Gerais, trabalhou nos principais órgãos de imprensa do Brasil. Foi deputado estadual e secretário da Cultura e da Educação do Estado de São Paulo.
Em entrevista à Agência Brasil, Fernando Morais considera a nova missão como um “desafio gigantesco” em uma agência de quase 60 anos de existência. “Uma agência que tem uma capilaridade no mundo inteiro e que nasceu na época do auge da Guerra Fria, no momento em que surgia também o movimento de países não alinhados, nações que mantinham uma distância dos Estados Unidos e União Soviética”.
Fernando Morais relembrou que a relação dele com a agência era antiga, como cliente. “Em algum dos veículos em que eu trabalhei, se utilizava material da IPS. É uma tarefa de tamanho gigante. Mas estou muito animado e disposto”.

Fernando Morais avalia que a onda de desinformação pela qual o mundo passa no século 21 sempre existiu. Para ele, no entanto, a disseminação de mentiras pela internet tornou a prática devastadora. “Se houver condições materiais para multiplicar mentiras para milhões de leitoras, de espectadores, de internautas, transforma-se a mentira na verdade”.
O jornalista ressalta que a internet possibilita uma comunicação personalizada. O lado ruim, segundo ele, é que a desinformação pode dar um tiro certeiro com as mesmas ferramentas. “A mentira pode chegar exatamente onde se está querendo. Entendo que uma agência que tenha a respeitabilidade e a credibilidade que tem a Interpress pode dar uma grande contribuição na guerra contra a desinformação e contra a manipulação da informação”.
Fotos: Ricardo Stuckert (PR).













