Chocolate amargo diminui desejo intenso de fumar, diz estudo da Universidade Federal Fluminense

Inúmeros estudos comprovam que o chocolate amargo proporcionam uma série de benefícios à saúde. Quanto mais amargo e escuro for o chocolate, mais saudável ele é. Isso porque a massa de cacau contém uma quantidade significativa de gorduras boas e é uma das principais fontes de polifenóis (compostos bioativos importantes para a proteção do metabolismo).
Estudo publicado no jornal acadêmico European Journal of Preventive Cardiology, em 2020, indica que o chocolate amargo é um doce poderoso pois ajuda a manter saudáveis os vasos sanguíneos do coração Consumir chocolate com alto teor de cacau oferece diferentes benefícios mentais e emocionais, além de aumentar a energia física.
Segundo estudo conduzido por Chayakrit Krittanawong, da Escola de Medicina Baylor em Houston, Texas, o cacau apresenta uma grande quantidade de compostos que impactam nos processos cognitivos e alterações de humor, além de oferecer atividade antioxidante e anti-inflamatória. “O chocolate contém nutrientes que são bons para o coração, como flavonoides, metilxantinas, polifenóis e ácido esteárico, que podem reduzir a inflamação e aumentar o colesterol bom”, explicou Krittanawong.
Segundo o pesquisador Chayakrit uma única “dose” de cacau pode conter mais antioxidantes fitoquímicos do que a maioria dos alimentos, e mais procianidinas – responsáveis por bloquear a captação do colesterol ruim – do que a maioria das coisas que as pessoas consomem todos os dias.
O consumo regular de cacau contribui para a redução do estresse, auxiliando na minimização dos sintomas associados à ansiedade e alterações de humor. Chocolate amargo (70%) tem maior concentração de cacau, o que se traduz em mais efeitos benéficos.
Consumir chocolate amargo pode melhorar vários fatores de risco importantes para doenças cardíacas, como proteger contra o colesterol alto. Em um pequeno estudo, comer chocolate amargo suplementado com flavonol licopeno diminuiu significativamente os níveis de colesterol total, colesterol LDL (“ruim”) e triglicerídeos. E muitos outros importantes benefícios e por isso por ser adicionado ao hábito alimentar com efeitos nutritivos e funcionais.
O chocolate é um alimento consumido em todo o mundo e com uma história bastante interessante Sua origem remonta às civilizações antigas da América Central e do Sul, onde o cacau era utilizado como moeda e bebida ritualística. Foi somente após a chegada dos europeus na região que o cacau se tornou conhecido no resto do mundo e despertou interesse em vários pesquisadores.

Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), conduzido no Brasil, revela que o chocolate amargo pode ser uma alternativa para ajudar aqueles que desejam largar o cigarro, um vício difícil de abandonar e que traz consequências graves para a saúde.
A pesquisa foi realizada por nutricionistas do Grupo de Pesquisa em Nutrição Translacional da UFF, coordenado pela professora e nutricionista Aline Silva de Aguiar. Durante um mês, eles realizaram um estudo de intervenção clínica com 47 fumantes portadores de comorbidades crônicas (entre elas, diabetes e hipertensão) que eram atendidos na Unidade de Assistência Integral ao Tabagista, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisa em Nefrologia, na cidade de Juiz de Fora (MG).
“Trabalhamos com pacientes com comorbidades, que geralmente são excluídos de outros estudos clínicos”, explica a professora Aline. A abordagem para tratamento do tabagismo tem como base o protocolo proposto pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).
A professora da UFF ressalta que a maioria dos serviços voltados para a cessação do tabagismo não possuem nutricionistas na equipe – por isso, ela decidiu participar de um ambulatório dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) para poder avaliar o impacto do alimento (no caso, o chocolate) como parte da intervenção para parar de fumar.
Os tabagistas que participaram do estudo de intervenção foram divididos em dois grupos: um deles recebia 40 gramas de chocolate amargo para consumir ao longo da semana, além de receber orientação nutricional para cessação do tabagismo ministrada pelos nutricionistas. Já o outro grupo, o controle, recebia apenas a orientação nutricional.

Os resultados da pesquisa indicam que o consumo diário de uma porção de 40 gramas de chocolate amargo (com 70% de cacau) contribuiu para a diminuição do desejo intenso em fumantes que estavam em tratamento e sem afetar as medidas corporais dos pacientes.
Isso é muito importante porque uma das principais dificuldades enfrentadas pelo tabagista que busca largar o cigarro é superar o período de abstinência, que geralmente dura de duas a três semanas. O desejo intenso é manifestado por sensações de desconforto, angústia e um desejo incontrolável de fumar novamente. Estratégias que buscam auxiliar o fumante a atravessar esse período sem desistir, são bem-vindas.
A professora do Departamento de Nutrição e Dietética da Faculdade de Nutrição da UFF, Aline Silva de Aguiar, especialista em dependência química e responsável pelo estudo, explica que isso ocorre porque os fumantes desenvolvem uma seletividade alimentar devido à ação da nicotina, que acelera o metabolismo e interfere nas papilas gustativas da língua, reduzindo a sensação de sabor dos alimentos para o tabagista.
“Ele tende a pular refeições, não tomar café da manhã, tende a comer sempre de forma monótona por não sentir o prazer do sabor. Associado a isso, o Índice de Massa Corporal (IMC) de quem fuma tende a ser mais baixo. Geralmente, é uma pessoa mais magra. Então, quando para de fumar, a pessoa começa a compensar essa falta do cigarro comendo alimentos mais palatáveis, geralmente doces, gordurosos e ultraprocessados. Sem a nicotina, o metabolismo deixa de estar acelerado e volta ao normal. Por isso, pode ser que a pessoa ganhe um pouco de peso”, explica a nutricionista. Aline ressalta que “o ganho de peso ao parar de fumar é irrisório perto dos benefícios de abandonar o cigarro”.
Benefícios de deixar de fumar

O tabaco leva a óbito 8 milhões de pessoas todos os anos e deixa muitos outros milhões com sequelas. O tabagismo envelhece a pele, causa mau hálito, deixa o fumante com odor de fumaça, amarela os dentes, aumenta o risco de desenvolver psoríase, uma doença inflamatória não contagiosa da pele que deixa manchas vermelhas que coçam por todo o corpo. Produtos de tabaco e nicotina, coloca em risco a saúde do fumante, de seus amigos e familiares. Não fumantes expostos ao fumo passivo correm o risco de desenvolver câncer de pulmão, pode aumentar o risco de progressão da infecção tuberculosa para a doença ativa e ao desenvolvimento de diabetes tipo 2.
O uso de tabaco traz consequências sociais negativas sem falar que todas as formas de tabaco são letais para o organismo e polui o meio ambiente. A cessação ao vício pode ser um desafio, especialmente para quem fuma há muitos anos, mas vale muito a pena tomar essa decisão. Não deixe o tabaco tirar seu fôlego. Priorize a saúde.

Os benefícios de parar de fumar são quase imediatos. Em apenas 20 minutos após parar, a frequência cardíaca cai. Em 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue volta ao normal. Entre 2 a 12 semanas, a circulação melhora e a função pulmonar aumenta. Entre 1-9 meses, a tosse e a falta de ar diminuem. Dentro de 5 a 15 anos, o risco de AVC é reduzido ao de um não fumante. Em 10 anos, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão é cerca de metade da de um fumante. Além disso, em 15 anos, o risco de doença cardíaca é igual ao de um não fumante. Se isso não for suficiente, aqui estão mais alguns motivos!
Fotos: Reprodução













