Ary Toledo: humorista marcado por anedotas de duplo sentido morre aos 87 anos

O humorista Ary Toledo faleceu na manhã deste sábado, 12 de outubro, aos 87 anos em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, no Centro da capital paulista. A informação foi anunciada pela família por meio do perfil oficial do artista no Instagram.
“Com profundo pesar, anunciamos o falecimento de Ary Christoni de Toledo, um humorista brilhante que iluminou nossas vidas com seu talento e risadas. Que sua memória continue a trazer sorrisos a todos nós… Sentiremos a sua falta Mestre“, disse a publicação.
O humorista, que fez carreira na televisão e no rádio contando piadas e histórias engraçadas, será velado a partir das 14h deste sábado no Ossel Memorial, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Depois, às 19h ele será cremado.
Ary era um dos principais nomes da história do humor no Brasil e sua morte foi lamentada por autoridades, artistas e emissoras de TV. Ele deixa um legado dedicado à comédia.

O SBT, emissora em que o humorista tinha presença cativa, divulgou também uma nota de pesar. “Toda a diretoria do Sistema Brasileiro de Televisão, a Família Abravanel, os amigos e colegas de emissora, e, claro, todo o público brasileiro, hoje estão sorrindo um pouco menos, com a partida do paladino do humor, o maior contador de piadas que o Brasil já conheceu, marcante em mais de sei décadas de trabalho, que deixará um legado eterno: colocar um sorriso no rosto de cada brasileiro.”
O presidente Lula lamentou a morte do artista e ressaltou a sua importância e expressou seus sentimentos aos familiares, amigos e admiradores do artista. Lula lembrou que Ary exerceu inúmeras atividades culturais, não se restringindo a de humorista. Foi ainda cantor, músico, compositor, teatrólogo, ator e dublador. Em nota, Lula destacou: “Ary tinha talento e disposição para fazer o povo sorrir”.
O humor de Toledo era marcado por anedotas de duplo sentido e com tom de malícia. Fez carreira contando histórias engraçadas e piadas normalmente baseadas em temas sexuais ou politicamente incorretos.

Durante o regime militar, em uma de suas apresentações, Ary satirizou a repressão com a frase: “Quem não tem cão, caça com gato, e quem não tem gato, caça com ato”, fazendo uma referência ao Ato Institucional V. Ele foi preso após a apresentação, mas logo liberado.
Dentre as piadas mais marcantes estão:
“Existem dois tipos de casamento: o que a gente acaba e o que acaba com a gente.”
“Tem gente que mente tanto que é capaz de transformar uma minhoca em sucuri”.
“As alianças e as algemas têm a mesma finalidade: prender as pessoas”
“‘Doutor, estou com uma dor cavalar no peito, uma tosse de cachorro e a minha barriga dói para burro!’; ‘Neste caso, vou encaminhá-lo para um veterinário…’”
“A Avenida Paulista é igual casamento. Começa no Paraíso e termina na Consolação.”
E como dizia o médico na porta do cemitério: – Aí dentro há muita gente que deve a mim sua posição.”

Ary Toledo nasceu em Martinópolis, no interior de São Paulo, em 22 de agosto de 1937. Passou a infância na cidade de Ourinhos e se mudou para a Capital aos 22 anos, quando começou a fazer shows como cantor e contador de piadas, além de trabalhar como ator.
Ao longo da carreira, trabalhou em emissoras como TV Tupi, Record e SBT. Ele participava frequentemente do Programa Silvio Santos e do A Praça É Nossa. Na televisão, participou do elenco da série “O Vigilante Rodoviário” (1962) e da novela “Ceará contra 007” (1965). Além de ter lotado espetáculos em salas de teatros, também escreveu livros de humor, dentre eles Os Textículos de Ary Toledo (a anarquia da filosofia). Muitas de suas piadas foram gravadas em CDs e/ou musicadas, como O Rico e o Pobre.
O artista tinha 65 mil piadas catalogadas e publicadas em livros e discos ao longo de mais de 60 anos de carreira.
Por 45 anos, foi casado com a diretora teatral Marly Marley, que faleceu em 2014, aos 75 anos, vítima de uma complicação do câncer de pâncreas.
Fotos: Reprodução Redes Sociais













