Dilma Rousseff é eleita para novo mandato no Banco do Brics, com aval de Putin

Bernadete Alves
Dilma Rousseff é eleita para novo mandato no Banco do Brics, com aval de Putin

Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil, foi reeleita para o comando do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como Banco do Brics. A continuidade da brasileira envolveu o aval do presidente da Rússia, Vladimir Putin, já que o país era o responsável pela indicação.

Dilma assumiu a presidência do banco em abril de 2023 com mandato até julho de 2025. A presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento recuperou as finanças e a classificação de risco da instituição.

Dilma Rousseff, foi reconduzida ao cargo neste domingo, 23 de março, durante o Fórum de Desenvolvimento da China, realizado em Pequim. Ao lado de figuras como o primeiro-ministro chinês Li Qiang, o CEO da Apple, Tim Cook, e o brasileiro Cristiano Amon (CEO da Qualcomm), Dilma esteve na abertura do Fórum de Desenvolvimento da China, reforçando o protagonismo do banco dos BRICS na arena internacional.

A confirmação da brasileira acontece em um momento de recuperação sólida da instituição financeira, criada pelo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Em seus dois primeiros anos de mandato, Dilma reestruturou o banco após um período de inoperância e instabilidade herdado da gestão anterior, sob o diplomata brasileiro Marcos Troyjo.

Durante o Fórum, Dilma defendeu sua gestão e criticou a administração anterior, embora sem citar nomes. “Uma das coisas mais graves que aconteceram no banco foi quando não tomaram empréstimos por 16 meses”, afirmou. “Quando você não tem liquidez, você não investe. Ou seja, também não tinha empréstimo.”

Bernadete Alves
Dilma Rousseff é eleita para novo mandato no Banco do Brics

Nos dois anos à frente do NDB, Dilma promoveu mudanças significativas. Quando assumiu em março de 2023, encontrou um banco sem liquidez e com dificuldades de captação internacional. O NDB havia passado 15 meses sem acessar o mercado de capitais em dólar, perdendo oportunidades valiosas em tempos de juros baixos. Ainda enfrentava dificuldades no programa de emissão de títulos na China, os Panda Bonds, e operava sem um comitê executivo de governança.

Em abril de 2023, criou o comitê executivo; o programa de Panda Bonds foi reativado; e, desde então, o banco já voltou ao mercado 40 vezes, captando aproximadamente US$ 14 bilhões em diversas moedas. Entre os destaques estão emissões de US$ 1,25 bilhão e US$ 1,2 bilhão em dólares, além de US$ 4 bilhões em yuanes por meio dos Panda Bonds.

A credibilidade restaurada resultou na reafirmação do rating “AA” pela Fitch em 2023, com perspectiva estável, e, mais recentemente, na elevação da nota para “AAA” pela agência japonesa JCR, que destacou os avanços em governança e segurança financeira.

Bernadete Alves
Dilma Rousseff durante posse no comando do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) – Brics em 2023

Sob a liderança de Dilma, o banco também segue ampliando sua presença internacional. A Argélia aderiu ao NDB em 2024 e o Uruguai está prestes a se tornar membro. Outros 17 países manifestaram interesse em integrar a instituição.

A mesa de presidente e vice-presidentes do Banco do Brics é definida em uma rotatividade entre os membros fundadores (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) do grupo. O banco foi formalmente criado em 2015 e financia projetos de infraestrutura e crescimento sustentável nos países-membros.

Em 2024, o presidente da Rússia defendeu a extensão do mandato de Rousseff à frente da instituição. Putin ponderou que com as restrições ao país devido a guerra da Ucrânia poderiam comprometer a atuação de um russo no banco.

Putin já elogiou a condução da brasileira no banco. Em junho de 2024 Dilma esteve com o presidente russo em São Petersburgo. Na ocasião, ele a parabenizou pelo “progresso” do banco na atual gestão.

A permanência de Dilma no comando de tão importante função é também um gesto ao Brasil, além de uma solução para os russos, que podem mirar assumir a presidência mais adiante, quando as sanções talvez não estejam mais em vigor ou a questão da guerra na Ucrânia tenha sido superada.

A recondução de Dilma Rousseff ao cargo, após um início desafiador, marca não apenas sua resiliência pessoal, mas também a solidez de sua gestão à frente do NDB. Com governança aprimorada, finanças recuperadas e expansão de projetos estratégicos, a instituição se consolida como um dos principais vetores de financiamento para o desenvolvimento sustentável entre os países emergentes.

Em setembro de 2024 a presidenta do Banco dos Brics, Dilma Rousseff recebeu do presidente da China Xi Jinping a mais alta medalha chinesa. A Medalha da Amizade é um reconhecimento às contribuições para a cooperação entre Brasil e China,  além de sua atuação em promover a cooperação entre os países do BRICS. A homenagem à Dilma não apenas destaca suas realizações, mas também simboliza o compromisso contínuo entre China e Brasil.

Fotos: Reprodução