Adeus ao Papa Francisco: o porta-voz da misericórdia divina

Neste 26 de abril o mundo se despediu do grande líder religioso da história, durante a Missa de Exéquias, que marca o primeiro dia do Novendiali – nove dias de luto e orações em honra ao Santo Padre. A celebração eucarística aconteceu no átrio da Basílica de São Pedro.

Diante do altar do sacrário da Praça, o sóbrio caixão de Francisco, sem outro ornamento que a cruz e o Evangelho, repousa humildemente, como ele viveu. Um ato que ficará inscrito nas páginas da História.

A Oração Universal foi lida pela jornalista brasileira Bianca Fraccalvieri. “Pelos povos de todas as nações: que, praticando incansavelmente a Justiça, possam estar sempre unidos no amor fraterno e busquem incessantemente o caminho da paz”, disse ela.

Oito cardeais brasileiros acompanharam os ritos da despedida do Papa Francisco. São eles: Dom Paulo Cezar Costa (Arquidiocese de Brasília), Dom Leonardo Steiner (de Manaus), Dom Odilo Pedro Scherer (de São Paulo), Dom Jaime Spengler (de Porto Alegre), Dom Raymundo Damasceno (de Aparecida-SP), Dom Sérgio da Rocha (de Salvador) e Dom Orani João Tempesta (do Rio de Janeiro).

Ao final da celebração, ocorreram os ritos da Última Commendatio e da Valedictio, despedidas solenes que marcam o encerramento das exéquias.

Cardeais, bispos, padres, irmãs e irmãos religiosos e delegações de diversos países participam da missa de corpo presente acompanhados de uma multidão de pessoas, vindas de todas as origens geográficas, sociais, políticas e culturais. A multidão diversificada representa a Igreja de Francisco, que acolhia a todos incansavelmente.
As delegações dos diversos chefes de Estado que participaram do funeral do papa Francisco na Praça São Pedro, foram organizadas considerando prioridades e a ordem alfabética na língua francesa, considerada a principal língua diplomática.

Nas primeiras fileiras estavam os representantes da Argentina e Itália, começando pelo presidente argentino, Javier Milei e por Georgia Meloni, primeira-ministra italiana. A escolha considerou a nacionalidade de Francisco, que era argentino e o fato do Vaticano estar no território de Roma.

Depois sentaram-se 12 monarcas de diferentes países: Andorra; Bélgica; Dinamarca; Emirados Árabes Unidos; Espanha; Jordânia; Lesoto; Liechtenstein; Luxemburgo; Mônaco; Malta; Suécia.

Em seguida as comitivas dos chefes de Estado, também colocadas na ordem alfabética em francês, entre elas a do Brasil, com o presidente Lula e a primeira-dama Janja, o presidente Emmanuel Macron e a primeira-dama Brigitte, e a dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump, em sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu a Casa Branca.

O funeral de Francisco durou cerca três horas e foi acompanhado por 130 delegações de chefes de Estado e por ao menos 400 mil pessoas, de acordo com governo italiano.

O cortejo fúnebre levou lentamente o corpo de Francisco para o interior da Basílica, para enfrentar o seu último percurso, os seis quilômetros que ligam o Vaticano ao sóbrio túmulo que mandou construir em Santa Maria Maggiore.

Após acompanhar a Missa de Exéquias do papa Francisco no Vaticano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o nome do pontífice marcou a história e destacou ainda o trabalho do santo padre no combate às desigualdades sociais em todo o mundo.
“Perdemos o líder religioso mais importante deste primeiro quarto do século 21. Papa Francisco não era apenas um papa. Ele era um papa preocupado com a guerra de Gaza, com a fome, com as coisas que afligem o povo do mundo inteiro”, avaliou o presidente, em rápida conversa com jornalistas.

Acompanhado da primeira-dama, Lula lembrou do apreço dos brasileiros ao papa Francisco: “um homem que prestou serviços à humanidade”. “Queira Deus que o próximo papa seja igual a ele, com o mesmo coração dele, com os mesmos compromissos religiosos dele, com o mesmo compromisso no combate à desigualdade que tinha o papa Francisco. Volto para o Brasil certo de que nós cumprimos o nosso dever – como cristãos, como religiosos e como políticos. De vir ao enterro de uma pessoa admirável como o papa Francisco.”
Os nove dias de celebrações eucarísticas em sufrágio do pontífice morto começa neste sábado com missas e orações e segue até 4 de maio, sempre às 17h (horário local), na Basílica de São Pedro, com exceção da Missa da Divina Misericórdia, que será neste domingo (27), às 10h30 (horário local), na Praça de São Pedro.
Última viagem do Papa Francisco foi até a Mãe do Senhor

Um céu limpo acompanhou a última viagem do porta-voz da misericórdia divina aplaudido por uma multidão da Praça de São Pedro, passando pela Via della Conciliazone até sua morada final. Roma e o mundo se envolviam num abraço para saudar o pastor que sabia tocar o coração de todos.

O corpo do papa Francisco foi trasladado até a Basílica de Santa Maria Maior, onde foi sepultado às 13h30 (horário local) deste sábado (26), conforme pedido do pontífice. De acordo com o Vaticano, cerca de 150 mil pessoas se posicionaram nas ruas de Roma para prestar homenagens, se despedir de Francisco e acompanhar a passagem do cortejo.

Às 13h, teve início o rito de sepultamento, na Basílica de Santa Maria Maior. O ato foi presidido pelo cardeal camerlengo Kevin Farrell na presença de outros religiosos e também de membros da família de Francisco.

Na chegada, o caixão , foi posicionado por alguns minutos à frente do ícone da Virgem Maria, a Salus Populi Romani, onde o papa costumava fazer preces antes e depois de retornar de viagens.

Meia hora depois, a cerimônia íntima e fechada foi encerrada.

“Papa Francisco agora repousa no nicho sepulcral na nave lateral, entre a Capela Sforza e a Capela Paulina, onde se encontra o ícone de Maria Salus Popoli Romani. Podemos ter a certeza de que os dois jamais se separarão”, destacou a Santa Sé, em nota.
O túmulo foi abençoado com água benta e, depois de orações, foi lavrada a ata oficial certificando o sepultamento. Além de ser lido em voz alta, o documento foi assinado pelo camerlengo, pelo Regente da Casa Pontifícia, pelo Mestre de Cerimônias Litúrgicas Pontifícias e pelo notário do Capítulo da Libéria.

“Desejo que a minha última viagem terrena se conclua precisamente neste antiquíssimo santuário Mariano, onde me dirigia para rezar no início e fim de cada Viagem Apostólica, para entregar confiadamente as minhas intenções à Mãe Imaculada e agradecer-Lhe pelo dócil e materno cuidado.” E completou: “O túmulo deve ser no chão; simples, sem decoração especial e com uma única inscrição: Franciscus”. O documento foi assinado em 29 de junho de 2022.


E assim foi feita a vontade do Santo Padre. O túmulo, por escolha do próprio papa, é simples – composto apenas pela inscrição “Franciscus” e uma cruz ao centro. Um detalhe, entretanto, dá caráter pessoal ao local: o túmulo foi construído com uma pedra extraída da região da Ligúria, na Itália, onde nasceu o bisavô do pontífice.
Os nove dias de celebrações eucarísticas em sufrágio do pontífice morto começa neste sábado com missas e orações e segue até 4 de maio, sempre às 17h (horário local), na Basílica de São Pedro, com exceção da Missa da Divina Misericórdia, que será neste domingo (27), às 10h30 (horário local), na Praça de São Pedro.
Fotos: Vatican Media













