Bira Presidente: lenda do pandeiro e fundador do Fundo de Quintal, morre aos 88 anos

Com pesar registro o falecimento de Ubirajara Félix do Nascimento, o Bira Presidente, percussionista, cantor e compositor, ocorrido na noite de 14 de junho aos 88 anos. Ele tinha Alzheimer e estava em tratamento de um câncer de próstata. A notícia foi dada pelo Grêmio Recreativo Cacique de Ramos e o Grupo Fundo de Quintal, em publicação no Instagram.
Bira Presidente deixa as filhas Karla Marcelly e Christian Kelly, os netos Yan e Brian, e a bisneta Lua, milhares de fãs pelo Brasil afora e um grandioso legado em prol do samba, da cultura e da música brasileira.
Bira construiu uma trajetória marcada pela firmeza, pela ética e pela contribuição inestimável ao samba e à cultura popular brasileira. Ele era conhecido por seu carisma, seu pandeiro inconfundível e sua presença marcante nos palcos e nas rodas de samba.

Bira foi um dos músicos mais importantes do samba no Rio de Janeiro e ajudou a transformar as rodas de samba do subúrbio carioca em um movimento musical que revolucionou o ritmo. Bira fundou o Fundo de Quintal, e o Cacique de Ramos, um dos blocos de carnaval e centro cultural mais importantes do Rio.
Bira tocou pandeiro em gravações históricas, como no álbum De Pé No Chão de Beth Carvalho, e acompanhou diversos artistas renomados da MPB. Sua versatilidade e domínio do instrumento o tornaram requisitado em estúdios e shows, consolidando sua reputação como um dos maiores pandeiristas do samba.
Além da música, Bira trabalhou por décadas como servidor público antes de se dedicar exclusivamente à carreira artística. Era pai de duas filhas, avô de dois netos e bisavô de uma menina chamada Lua. Torcedor do Flamengo e apaixonado pela dança de salão, Bira era uma figura querida e respeitada em todo o Brasil.
Bira Presidente deixa um legado imenso para o samba e a cultura popular brasileira. Sua atuação como líder comunitário, músico e símbolo do Cacique de Ramos o eterniza como uma das figuras mais importantes da história do samba.
Cacique de Ramos

Em 20 de janeiro de 1961, Bira fundou, junto com amigos e familiares, o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, bloco carnavalesco que se tornaria um dos maiores centros culturais do samba no Brasil.
O Cacique nasceu da fusão de pequenos blocos do bairro de Ramos e rapidamente se destacou pelas rodas de samba que promovia em sua sede, apelidada de “Doce Refúgio”.
Com desfiles no próprio bairro de Ramos e no Centro do Rio de Janeiro, o grupo, que incluía Bira e seu irmão Ubirany, se tornou um dos blocos de carnaval mais importantes da cidade.
Bira foi o primeiro e único presidente da agremiação até sua morte, sendo conhecido como “o próprio Cacique”.

No final dos anos 1970, das rodas do Cacique de Ramos surgiu o grupo Fundo de Quintal. O grupo inovou ao incorporar instrumentos como tantã, repique de mão e banjo, criando uma nova sonoridade que revolucionou o samba de raiz.
Entre os sucessos do Fundo de Quintal com Bira estão:
- “O Show Tem Que Continuar”
- “A Amizade”
- “Do Fundo do Nosso Quintal”
- “Lucidez”
- “Nosso Grito”
Perfil de Bira

Ubirajara Félix do Nascimento nasceu no dia 23 de março de 1937, no Rio de Janeiro, e em sua carreira ficou marcado como uma das grandes personalidades do samba no Brasil.
Filho de Domingos Félix do Nascimento e Conceição de Souza Nascimento, Bira cresceu no bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio. Desde cedo, foi envolvido pelo universo do samba e do choro, frequentando rodas com figuras lendárias como Pixinguinha, João da Baiana e Donga.
Sua mãe, uma mãe de santo da Umbanda, também influenciou a espiritualidade e a musicalidade das festas familiares, que misturavam rituais e samba.

Aos sete anos, teve seu “batismo no samba” na Estação Primeira de Mangueira, escola que sempre considerou sua de coração.
Fotos: Fábio Rocha/Globo, Arley Alves/TV Globo e Márcio Ramos/Divulgação













