Dia Mundial do Origami: celebra o ‘pássaro’ tsuru como símbolo internacional da paz 

Bernadete Alves
Dia Mundial do Origami: origem e curiosidades sobre a arte que virou símbolo de paz

A palavra “origami” vem do japonês, unindo “ori” (dobrar) e “kami” (papel). Desta arte resulta a dobradura do tsuru (pássaro). Essa ave de origami, é um símbolo de sorte, longevidade e paz no Japão, conforme define a Associação Japonesa de Origami, em seu site.

A arte de dobrar papel sem usar tesoura ou cola, típica do Japão e transmitida há séculos, se tornou tão especial que passou a ser homenageada no dia 11 de novembro.

Bernadete Alves
Dia Mundial do Origami: celebra o ‘pássaro’ tsuru como símbolo internacional da paz 

A data foi escolhida em parte porque o número 11/1111 / 1111/11 simboliza os quatro lados do papel de origami, e também por coincidir com o aniversário do fim da Primeira Guerra Mundial e a declaração do tsuru (pássaro de origami) como símbolo internacional da paz. 

Mais do que um simples papel dobrado, de diferentes forma, o origami é um símbolo de paz, utilizado há séculos em cerimónias e festivais japoneses. 

Bernadete Alves
Origami – a técnica japonesa que ajuda a pôr em prática os dotes matemáticos e a se concentrar

Segundo a Associação Japonesa, o método de fabricação de papel chegou ao Japão no início do século 7. Lá, um tipo de papel fino, mas resistente, chamado “washi” foi criado.  A princípio, este material era utilizado para copiar sutras (textos do hinduísmo e do budismo) e registros. Mais tarde, porém, começou a ser usado para rituais e para embrulhar oferendas aos deuses. 

No Japão feudal, os samurais se preparavam para as batalhas treinando artes marciais e… fazendo origamis. A técnica os ajudava a alcançar um estado de concentração ideal e relaxado, e os companheiros costumavam presentear uns aos outros com garças, símbolos de honra e lealdade. O Origami também serviu de inspiração para futuras naves espaciais que desbravaram outras galáxias, a técnica evoluiu e passou a ocupar um lugar cativo na cultura humana.

Bernadete Alves
Dia Mundial do Origami: o que é e como fazer a arte de dobradura de papel

Entre os séculos 14 e 15, algumas famílias estabeleceram regras de etiqueta que incluía o dobramento cerimonial do papel. Mais tarde, a produção de papel aumentou e os origamis se tornaram ainda mais populares. Em 1797 foi publicado o primeiro livro de orimani, o “Hiden Senbazuru Orikata”.

O livro japonês do século XVIII é o mais antigo manual de origami conhecido e reúne um registro de inumeráveis variações de garças de origami, acompanhadas de tutoriais bastante detalhados que explicam como reproduzi-las.

Bernadete Alves
Dia Mundial do Origami: celebra o ‘pássaro’ tsuru como símbolo internacional da paz 

Ao longo dos anos, esta técnica foi introduzida na educação das crianças. “A magnificência do origami, que tem tocado o coração de cada um de nós, transcende as fronteiras nacionais e regionais e se espalha pelo mundo como a linguagem universal do origami”, ensina o livro.

Das típicas garças a morcegos, dragões, guerreiros, caravelas medievais ou cidades inteiras, não existe forma que seja impossível de representar em um origami: a única regra universal para essas sofisticadas dobraduras é não utilizar tesoura nem cola.

Bernadete Alves
Origami: a arte da dobradura de papel que se transforma no tsuru, pássaro símbolo de sorte e longevidade

Cientistas do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos, utilizaram o conceito de eletricidade estática para criar energia elétrica dobrando e desdobrando origamis. Em um futuro não muito distante, dizem, além de nos ajudar a pôr em prática nossos dotes matemáticos, meditar ou simplesmente criar coisas bonitas, os origamis poderiam servir para alimentar pequenos equipamentos eletrônicos em nossas casas.

Bernadete Alves
Dia Mundial do Origami: celebra o tsuru, pássaro de origami, como símbolo internacional da paz 

A Nasa investiga técnicas baseadas no origami para projetar painéis solares ultraeficientes ou, inclusive, as próprias naves espaciais que nos levarão a outros sistemas solares. A sofisticada matemática envolvida nessas dobraduras permitiria criar objetos ao mesmo tempo volumosos e compactos, leves e resistentes para percorrer grandes distâncias.

Fotos: Reprodução