Terapia genética com célula de paciente é a nova esperança de combate ao câncer

Terapia genética livra brasileiro de linfoma terminal - Bernadete Alves
Equipe médica e científica responsável pela terapia genética 100 % brasileira e inédita

Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto,conseguiram através de uma terapia genética , descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell, livrar um paciente de  62 anos dos sintomas de um linfoma  terminal.

Terapia genética livra brasileiro de linfoma terminal - Bernadete Alves
Cientistas modificam o DNA de um vírus
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Células de defesa do paciente são retiradas e infectadas com o vírus

A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. Esse método consiste na manipulação de células do sistema imunológico para que elas possam combater as células causadoras do câncer.

Terapia genética livra brasileiro de linfoma terminal - Bernadete Alves
Terapia genética pioneira 100% brasileira livra paciente de linfoma terminal

Os pesquisadores da USP – apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) – desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell. Esta é uma notícia maravilhosa que traz esperança de vida e mostra a capacidade e dedicação dos nossos cientistas e médicos.

Terapia genética livra brasileiro de linfoma terminal - Bernadete Alves
Vamberto Luiz de Castro, 62, é funcionário público aposentado de BH Foto: Hugo Caldato/Hemocentro

O mineiro Vamberto Luiz de Castro, que tomava morfina todo dia, já havia tentado quimioterapia e radioterapia, mas seu corpo não respondeu bem a nenhuma das técnicas. Em um tratamento paliativo, com dose máxima de morfina, o paciente deu entrada em 9 de setembro no Hospital das Clínicas em Ribeirão com muitas dores, perda de peso e dificuldades para andar. O tumor havia se espalhado para os ossos.

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Materiais genéticos da célula e do vírus se “misturam”
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Com o novo DNA, a célula de defesa produz estrutura que ajuda a identificar o tumor

“Essa primeira fase do tratamento foi milagrosa”, disse o hematologista Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp) e do Instituto Nacional de Células Tronco e Terapia Celular, apoiado pelo CNPq e pelo Ministério da Saúde. “Não tem mais manifestação da doença, ele era cheio de nódulos linfáticos pelo corpo. Sumiram todos. Ele tinha uma dor intratável, dependia de morfina todo dia. É uma história com final muito feliz”, diz Covas.

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Cientistas aumentam o número dessas células em laboratório
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Médicos “derrubam” o sistema imunológico do paciente para que essas novas células tenham espaço para atuar

O hematologista Renato Luiz Cunha, outro dos responsáveis pelo estudo, explicou que a terapia genética consegue modificar células de defesa do corpo para atuarem em combate às que causam o câncer. Cunha recebeu, em 2018, o prêmio da Associação Americana de Hematologia (ASH), nos EUA, para desenvolver este estudo no Brasil.

“As células vão crescer no organismo do paciente e vão combater o tumor”, disse Cunha. “E desenvolvemos uma tecnologia 100% brasileira, de um tratamento que nos EUA custa mais de R$ 1 milhão. Esperamos que ela possa ser, no futuro, acessível a todos os pacientes do SUS.”

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As novas células são injetadas no corpo do paciente

O tratamento ainda não está liberado na rede pública ou privada de saúde, por isso, Cunha explicou que, para o paciente ser atendido no hospital universitário, o encaminhamento foi aprovado por uma comissão de ética. Nos próximos 6 meses mais 10 pacientes vão receber o tratamento.

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Sistema imunológico passa a reconhecer o tumor, que poderá ser destruído

O hematologista Rodrigo Calado, professor da FMRP-USP e membro do CTC, afirma que “esse tratamento foi possível pelo investimento em pesquisa e formação de pessoas feito pela Fapesp e CNPQ ao longo dos anos e que agora se traduz em um tratamento melhor e mais eficaz em casos de linfomas refratários.”

Os cientistas explicam que, antes de o tratamento ser disponibilizado para o Sistema Único de Saúde (SUS), ele precisa cumprir os requisitos regulatórios da Anvisa. O chamado “estudo clínico compassivo”.

Se as etapas de estudos e pesquisas continuarem a se manter promissoras, Covas avalia que o tratamento pode ser adotado em larga escala com adaptações nos laboratórios de produção. “Os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”, afirma o hematologista Dimas Tadeu Covas.

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Vamberto Luiz de Castro, 62, é funcionário público aposentado de BH Foto: Hugo Caldato/Hemocentro

O funcionário público aposentado deve receber alta amanhã (12) após o tratamento inédito na América Latina. Segundo os pesquisadores  o paciente está “virtualmente” livre do câncer. Os especialistas, no entanto, não falam em cura ainda porque o diagnóstico final só pode ser dado após cinco anos de acompanhamento. Tecnicamente, os exames indicam a “remissão do câncer”.

Terapia genética livra brasileiro de linfoma terminal - Bernadete Alves

Parabéns a todos os responsáveis que não só descobriram o caminho para a cura do câncer como estão vendo como oferecer de graça aos pacientes do SUS. Viva a pesquisa brasileira! Viva a vida!

bernadetealves.com