Luto no Futebol: morre Vadão, ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino

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Vadão no comando da Seleção Brasileira de Futebol Feminino

Oswaldo Fumeiro Alvarez, mais conhecido  Vadão, faleceu na tarde do dia 26, em São Paulo, aos 63 anos. A causa da morte foi um câncer no fígado, que evoluiu para outros órgãos em poucos meses. O treinador estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo e lutava contra a doença desde o início de 2020.

O corpo de Vadão será velado e sepultado em Monte Azul paulista, cidade natal do treinador, em cerimônia reservada aos amigos mais próximos e familiares. Vadão deixa a esposa Ana, os filhos Adriano e Carolina, dois netos e uma legião de fãs e amigos.

Uma grande perda. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e fãs. O esporte perde um grande profissional. Vadão era um descobridor nato de craques.

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Vadão com a Seleção Brasileira de Futebol Feminino

Em sinal de luto, a CBF decretou a colocação de bandeiras a meio mastro em sua sede, como manifestação de respeito e admiração pelo legado que Vadão deixa ao futebol.

A CBF e diversos clubes brasileiros lamentaram a morte prematura de Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão. No Twitter a CBF lamentou e se despediu do treinador com a mensagem: “Profissional leal, nunca mediu esforços no exercício da função e trouxe resultados fundamentais para a Seleção Feminina. O Futebol Brasileiro agradece sua contribuição!

Vadão treinou a Seleção brasileira feminina de futebol por duas vezes. Em dois anos e sete meses durante o primeiro comando, colecionou conquistas: Copa América 2014, Torneio Internacional de Futebol Feminino 2014, Campeonato Internacional de Futebol Feminino de 2015, Jogos Pan-Americano de 2015, além do quarto lugar nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Naquele ano, Vadão foi escolhido pela FIFA o sexto melhor treinador do mundo de um time feminino.

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O técnico Vadão com a jogadora Marta

O segundo trabalho na seleção feminina começou em setembro de 2017. Foi campeão do Torneio Internacional de Futebol Feminino (China), em 2017, e da Copa América, em 2018. O último torneio pela seleção feminina foi a Copa do Mundo de 2019, com a eliminação do Brasil nas oitavas de final para a França, as donas da casa.

A jogadora Marta manifestou sua tristeza e lamentou a perda prematura em seu Instagram. “Vá em paz professor. Sua missão nessa terra você cumpriu e com muito êxito. Desconheço qualquer ser humano igual, você soube viver a vida de maneira digna e honestamente. Orgulho demais de ter vivido momentos maravilhosos ao seu lado e de ter tido a oportunidade de aprender muito. Obrigada por tudo e descanse em paz”, declarou a rainha do futebol.

O Corinthians, a Portuguesa e a Ponte Preta também se manifestaram, assim como o São Paulo.  “Campeão por nossa instituição e com enormes serviços prestados, será eternamente lembrado pelo caráter, pela competência e pelo profissionalismo”, lembrou o tricolor paulista.

Oswaldo Fumeiro Alvarez, iniciou a carreira no futebol nos anos 70, como meia-esquerda das categorias de base do Guarani e do Botafogo-SP. No profissional jogou no Paulista, Noroeste,Velo Clube e Capivariano. Ao se formar em Educação Física passou a trabalhar como preparador da Portuguesa.  Depois começou a carreira como técnico no Mogi Mirim.

Vadão ganhou destaque com o “Carrossel Caipira” no Mogi Mirim, onde ajudou a projetar Rivaldo, Leto e Válber também eram outros símbolos daquele time que se inspirava na Holanda de 1974, com o esquema 3-5-2.

No Guarani, foi o treinador que mais dirigiu o clube: 1995, 1997-98, 2009-10, 2012 e 2017. Foram 204 jogos com campanhas marcantes, como o acesso na Série B em 2009 e o vice-paulista de 2012 – quando foi eleito o melhor treinador do torneio.

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Vadão sendo homenageado pelo Guarani

Em Campinas é conhecido como “Mister Dérbi” por nunca ter perdido um clássico da cidade, seja por Guarani ou Ponte Preta. A invencibilidade é de nove jogos, com cinco vitórias (quatro pelo Guarani e uma pela Ponte) e quatro empates (três pela Ponte e um pelo Guarani).

Vadão descobriu e lançou o meia Kaká no profissional do São Paulo, no título do Torneio Rio-São Paulo de 2001. Um ano antes, teve uma rápida passagem pelo Corinthians, de apenas 21 jogos durante a Copa João Havelange.