Solstício marca inicio oficial do inverno 2020 no Hemisfério Sul

bernadetealves.com
Praça dos Três Poderes – foto Leonardo Sá/Agência Senado

O outono se despediu de Brasília com noites frias, ventos e tempo seco para dar lugar a nova estação. O inverno começou às 18h44 deste sábado dia 20 e vai até 22 de setembro, às 10h31, no horário de Brasília.

O Solstício de inverno propicia a noite mais longa do ano. Eles ocorrem duas vezes por ano:em junho e em dezembro. A palavra vem do latim: Sol e sistere (que não se move). Na astronomia, o evento marca o momento em que a luz solar incide com maior intensidade sobre o Hemisfério Norte e quando o sol encontra-se o mais distante possível da Linha do Equador.

O inverno  representa o período em que as temperaturas caem consideravelmente em regiões do planeta que apresentam as estações bem definidas. No Hemisfério Norte é chamado de inverno boreal e no Hemisfério Sul de austral.

No Brasil, temos um inverno bastante peculiar. Com exceção da região Sul, o inverno no país é caracterizado por baixa umidade do ar, frio e pouca ou nenhuma ocorrência de chuva.

A palavra inverno deriva do latim, hibernum, que significa neutro, invernal, invernoso, tempo frio. O inverno está também associado à característica de alguns animais procurarem por alternativas para sobreviver ao frio.

Algumas espécies apresentam comportamentos específicos de adaptação, como o aumento da gordura corporal na medida em que a estação aproxima-se para entrar em um período de hibernação durante as baixas temperaturas. A hibernação consiste em entrar em período letárgico, ou seja, os animais entram em fase de dormência, a fim de reduzir sua atividade metabólica, tornando-a mais lenta, bem como há também diminuição dos batimentos cardíacos.

A migração também consiste em uma técnica para fugir das baixas temperaturas. Muitas espécies deslocam-se das regiões frias para as regiões de temperaturas mais elevadas, retornando ao seu habitat assim que o inverno acaba.

bernadetealves.com
Entardecer na Torre de TV em Brasília

Segundo a meteorologia o inverno 2020 será mais seco que o normal em todo o Centro-Oeste, de acordo com a Universidade de Colúmbia. Além disso, apesar da chegada de algumas ondas de frio mais intensas, sobretudo no início da estação, a temperatura ficará mais elevada que o normal, especialmente em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. “No sul de Mato Grosso do Sul, há expectativa de temperaturas próximas de 0 °C no dia 5 de julho, em Dourados, a mínima é de apenas 1 °C, o que pode trazer geada para o milho segunda safra”, diz o meteorologista Celso Oliveira, da Somar.

Em julho, a chuva será abaixo da média nos três estados da região com maiores desvios negativos em Mato Grosso do Sul. Apesar da pouca chuva, o frio avança pela região deixando a temperatura mínima mais baixa que a média em boa parte dos três estados. Já a temperatura máxima ficará mais baixa que o normal no leste de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

bernadetealves.com
Congresso Nacional em Brasília

Em agosto, a previsão novamente é de chuva inferior ao normal em todo o Centro-Oeste. Em setembro, as primeiras pancadas de chuva retornam mas abaixo da média. O calor vai predominar no Centro-Oeste, mas não há previsão de máximas persistentemente elevadas.

Para o último trimestre de 2020, no entanto, a situação inverte completamente. A chuva deve ficar acima da média em Goiás, Distrito Federal e norte de Mato Grosso. Somente em Mato Grosso do Sul receberá menos chuva que o normal.

bernadetealves.com
Entardecer em Brasília

Na região sul a previsão é de inverno mais seco que o normal na maior parte dos estados e somente algumas poucas áreas do oeste do Rio Grande do Sul e da costa da região terão chuva dentro da média.

Além disso, embora exista previsão de algumas fortes ondas de frio, elas não terão frequência suficiente para evitar um inverno mais quente que a média no Rio Grande do Sul e no interior de Santa Catarina e Paraná. No litorais catarinense e paranaense, a maior frequência de frentes frias deixará a temperatura dentro da média histórica.

No Sudeste o inverno  será mais seco que o normal. Somente no norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo e no leste e norte de Minas Gerais, espera-se chuva dentro da média histórica, de acordo com a previsão probabilística da Universidade de Colúmbia.

A estação também será mais quente que o normal especialmente em São Paulo, mas isto não quer dizer que não haverá frio intenso. Apenas indica que as ondas de frio serão bastante espaçadas. Em julho, a chuva deve ficar inferior à média em São Paulo e no oeste e sul de Minas Gerais, dentro da média no Rio de Janeiro e acima da média no Espírito Santo e no leste e norte de Minas Gerais.

No Nordeste será caracterizado por chuva acima da média na maior parte da região. Apenas em algumas áreas do sul e oeste do Maranhão e da Bahia, a precipitação não alcançará a média climatológica. Além disso, a temperatura fica próxima da média na maior parte dos estados, com exceção do Maranhão, que terá uma estação mais quente que o normal. No interior da Bahia, também há previsão de frio pela entrada de algumas massas de ar polar.

Em agosto, novamente há previsão de chuva acima da média desde o sul da Bahia até o Ceará. No oeste da Bahia, Maranhão e Piauí, choverá menos que o normal. Por conta da maior quantidade de nuvens, a temperatura máxima vai permanecer mais baixa que o normal na Bahia, Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

Para a região Norte o inverno será  menos chuvoso que o normal. Os desvios negativos serão percebidos no centro e sul do Amazonas, Rondônia, Tocantins e no sul e leste do Pará. Por outro lado, Amapá, norte do Pará e de Roraima e o oeste do Amazonas terão mais chuva que o normal. O Acre será o único estado com chuva dentro da média.

Além disso, a estação será caracterizada por temperaturas entre a média e acima da média. Mas naturalmente há previsão de eventuais quedas acentuadas de temperatura no Acre e Rondônia, fenômeno chamado de friagem.

Em agosto, a área com chuva abaixo da média aumenta consideravelmente. Somente Roraima, Amapá e o norte dos estados do Amazonas e Pará receberão mais chuva que o normal. A temperatura máxima vai permanecer mais baixa que o normal no sul de Tocantins, mas já não há previsão da entrada de ondas de frio em Rondônia e Acre.

Para o trimestre outubro-novembro-dezembro, espera-se chuva dentro da média na maior parte da região. As poucas áreas com chuva acima da média serão vistas no Acre, Rondônia e norte de Roraima. Já a chuva abaixo da média será vista ao longo de boa parte da bacia do rio Amazonas e no norte do Pará.

A temperatura permanecerá entre a média e acima da média. Destaque para calor mais intenso que o normal em Manaus no último trimestre de 2020.