Brasileira recebe prêmio da ONU pelo amparo a pessoas deslocadas à força de suas casas

bernadetealves.com
Irmã Rosita: a brasileira premiada pela ONU pelo amparo a pessoas deslocadas à força de suas casas

A ativista brasileira Irmã Rosita Milesi foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) por suas ações de amparo a pessoas que necessitam de proteção internacional. Ela se torna a segunda brasileira a receber o Prêmio Nansen, do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), que todos os anos homenageia um indivíduo ou organização que dedicou seu tempo e fez a diferença para proteger pessoas deslocadas à força de suas casas.

Irmã Rosita diz que é preciso se colocar no lugar das pessoas refugiadas para verdadeiramente tentar compreender a dor de deixar tudo para trás. “Se essas pessoas não encontrarem solidariedade, acolhimento e oportunidade de integração, onde buscariam a esperança de realmente acreditar que vale a pena? Elas nos transmitem essa esperança, e nós não podemos traí-las. Não podemos trair essa expectativa, que é justa, que é humana”.

Segundo a ativista e religiosa, além de crises econômicas e violações de direitos humanos, a guerra é um dos principais motivos de deslocamentos forçados. “Isso é muito triste. A gente fica quase sem palavras para dizer algo sobre isso, o que podemos desejar sobretudo é que as pessoas tenham lucidez para dialogar, ao invés de usar armas. Desejar profundamente que esses conflitos sejam superados”.

bernadetealves.com
Rosita Milesi é reconhecida pela ONU por ações de amparo aos refugiados

De acordo com a Acnur, as percepções políticas e a habilidade de persuasão de Irmã Rosita foram fundamentais na formulação da Lei Brasileira de Refugiados de 1997, “garantindo que ela proteja, inclua e empodere mais as pessoas forçadas a se deslocar, alinhando-se a padrões internacionais”.

“Ela também desempenhou um papel crucial ao reunir diversos interessados e mobilizar parlamentares na criação da Lei de Migração de 2017 no Brasil”, diz a agência da ONU.

Segundo as Nações Unidas, atualmente, 120 milhões de pessoas foram obrigadas a sair de seus países, sendo 40% delas adolescentes e crianças. Nos últimos 10 anos, 26 mil pessoas perderam a vida tentando chegar na Europa.

bernadetealves.com
Ativista e religiosa Rosita Milesi recebe prêmio global da ONU por trabalho com refugiados e imigrantes

Irmã Rosita Milesi, nasceu no Rio Grande do Sul, tem 79 anos, é filha de agricultores pobres de origem italiana. Ela é Advogada e Assistente Social e vem há 40 anos defendendo os direitos e a dignidade de refugiados e imigrantes de diferentes nacionalidades no Brasil. Irmã Rosita fundou o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), com sede em Brasília e Roraima, que há 25 anos oferece assistência para refugiados e migrantes. Nos últimos dois anos, o instituto ajudou quase 24 mil migrantes e refugiados de mais de 70 países. A maioria, da Venezuela.

Membro das Congregação das Irmãs Scalabrinianas, que desde o século XIX se dedica a ajudar migrantes e refugiados, Rosita também é advogada e coordena uma rede de organizações que atuam com pessoas em deslocamento. Além disso, ela também publica artigos acadêmicos sobre deslocamento e migração.

Rosita Milesi coordena uma rede nacional, a RedeMir, formada por cerca de 70 organizações que atuam para fortalecer a solidariedade entre as pessoas em deslocamento internacional e as comunidades que as acolhem.

Foto: Reprodução