Grêmio recebe taça de campeão da Supercopa do Brasil, 35 anos depois

O Grêmio, finalmente, recebeu a taça de campeão da Supercopa do Brasil, competição conquistada em 1990. Para corrigir essa pendência histórica, a Confederação Brasileira de Futebol, entrega ao Tricolor Gaúcho a tão esperada premiação.
O troféu foi entregue pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, para os ex-jogadores daquela conquista, na presença do presidente do Grêmio Alberto Guerra, e do coordenador técnico Luiz Felipe Scolari, em uma homenagem na Arena.
Entre os jogadores campeões, Almir, Darci, Fabio Lima, Géverton, Ion, João Antonio, Luis Fernando, Luís Eduardo, Mazaropi, Vilson e Wolnei Caio estiveram presentes na homenagem realizada pela CBF.

O presidente da CBF destacou a importância de reparar o erro histórico para o bem de todo o futebol brasileiro. “Mais uma reparação importante para o futebol brasileiro. Essa é uma das características dessa nova gestão. A gente começou lá com o Coritiba, agora estamos aqui com o Grêmio, que teve seus méritos para ganhar. Estamos fazendo uma reparação de 35 anos para os atletas que jogaram, que fizeram parte, isso é muito importante. A CBF, como entidade máxima do futebol brasileiro, nesta nova gestão, está tratando de reparar todos os erros que aconteceram no passado e que estão ao nosso alcance resolver. Então estamos hoje, aqui no Grêmio, para entregar essa taça merecida e deixar os ex-atletas felizes”, disse Xaud.
O capitão da equipe em algumas partidas na época, Luís Eduardo contou, emocionado, sobre o sentimento de receber esse reconhecimento após tanto tempo. “É fantástico. Uma coisa que a gente não esperava, né? Depois de trinta e cinco anos a gente teve o reconhecimento da CBF. Na época, quando acabou o jogo, a gente não teve nada. E hoje tivemos esse reconhecimento. Podemos dizer que realizamos o sonho de estar no nosso clube e receber o nosso troféu”, afirmou o ex-jogador.

Quem também esteve presente na solenidade foi Luiz Felipe Scolari, técnico campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 2002 e hoje coordenador técnico do Grêmio. Mais do que ninguém, Felipão sabe o valor de um troféu. Ele afirmou que este reconhecimento no momento em que o Grêmio está vivendo é maravilhoso.
“É uma alegria reencontrar alguns dos meus ex-jogadores, reencontrar alguns dos meus ex-presidentes e uma alegria de encontrar o Samir, a quem eu desejo sempre o melhor porque gosto bastante da maneira como ele está agindo. Esse reconhecimento da CBF é maravilhoso neste momento também em que nós estamos vivendo aqui no Grêmio. Gostaria de agradecer a todos vocês pela gentileza de terem vindo até aqui, de terem nos ofertado o que era do Grêmio, mas que não havia sido reconhecido ainda”, disse Felipão.

Também estiveram na cerimônia os vice-presidentes do Grêmio Eduardo Magrisso e José Carlos Duarte, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Luciano Hocsman, o executivo de futebol Luis Vagner Vivian, e o ex-presidente Paulo Odone, presidente do Grêmio na época da conquista.

Mais do que uma homenagem ao Grêmio, a entrega do troféu é importante também para a Federação Gaúcha de Futebol (FGF), que tem o primeiro Supercampeão do Brasil. O presidente da FGF, Luciano Hocsman, caracterizou a atitude da CBF como um ato de empatia.
“Eu acho que o importante é ressaltar a empatia do presidente Samir de fazer esse reconhecimento ao Grêmio, de fazer esse reconhecimento ao futebol gaúcho. Isso demonstra que a gestão olha para trás, para aquilo que não foi feito e tem que ser feito, e olha para frente fazendo, as modificações de modernização da gestão do nosso futebol”, afirmou Hocsman.
“Eu fico feliz de estar podendo compartilhar desse momento de reconhecimento da CBF ao Grêmio e ao futebol gaúcho. Certamente nos orgulha bastante ter aqui no Rio Grande do Sul esse título de primeiro supercampeão do Brasil agora reconhecido pela CBF”, completou o presidente da FGF.

A entrega da taça foi tratada como reparação histórica pela entidade e pelo Grêmio, primeiro campeão da competição, em duelo com o Vasco.
Na ocasião, o Imortal Tricolor sagrou-se campeão ao superar o Gigante da Colina há 35 anos, em uma decisão disputada em dois jogos. No primeiro, realizado no Estádio Olímpico, os gaúchos venceram por 2 a 0, com gols de Nilson e Darci. Já na partida de volta, em São Januário, o empate por 0 a 0 foi suficiente para garantir o título ao Grêmio.

A Supercopa foi criada após o surgimento da Copa do Brasil, em 1989, vencida pelo Grêmio. Por consequência, o outro participante seria o campeão brasileiro do ano anterior — no caso, o Vasco. Curiosamente, essa foi a única edição da competição disputada em dois jogos.
Por causa do calendário apertado, os jogos da fase de grupos da Libertadores entre as duas equipes foram válidos também para apontar o campeão da Supercopa. E o troféu não foi entregue na ocasião, embora ninguém saiba explicar o motivo. Acredita-se que houve uma confusão por parte dos detentores de direito da transmissão da partida e, por isso, não aconteceu a premiação.

“Foi muito emotivo, eu estava no Olímpico, os gremistas se orgulham muito de ser o primeiro campeão da Copa do Brasil e o primeiro supercampeão e estava faltando essa taça. Me lembro da volta olímpica em São Januário sem taça”, declarou o presidente do Grêmio, Alberto Guerra.
No ano seguinte, em 1991, a decisão passou a ser em jogo único, realizado no estádio do Morumbi, quando o Corinthians venceu o Flamengo. Desde então, a competição foi descontinuada por três décadas. No entanto, ela retornou ao calendário do futebol brasileiro em 2020.
Atualmente, o Flamengo é o maior vencedor da Supercopa, com três títulos. Por outro lado, Atlético-MG, Palmeiras e São Paulo possuem um título cada no novo formato do torneio, que passou a se chamar Supercopa Rei.
Fotos: Lucas Uebel/Grêmio e Eduardo Moura/RBS TV













