Dia Mundial de combate a AIDS: autocuidado e resiliência vencem o preconceito

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Hoje se comemora mundialmente o combate a AIDS. Uma doença que chocou o mundo por ser carregada de preconceito. Neste 1º de dezembro de 2020, em meio a essa imensa crise sanitária mundial do coronavírus, é importante recordarmos o sofrimento das pessoas e de suas famílias quando o vírus HIV foi descoberto.

Nos anos 80, quando a epidemia de AIDS foi mais forte no mundo todo e ainda não havia controle da doença,vários astros do cinema e da música morreram, homossexuais e outros que pertenciam aos chamados “grupos de risco” (profissionais do sexo, transgêneros, dependentes químicos, hemofílicos, dentre outros) foram responsabilizados pelo mal e ainda mais marginalizados.

O lado positivo foi que o Brasil se destacou no enfrentamento da doença e no desenvolvimento de políticas públicas, sendo referência no tratamento para o mundo todo. A partir da epidemia de Aids muitos avanços e estudos na área se desenvolveram e o  trabalho de educação sexual em escolas passou a ser bem recebido pelos pais e comunidade.

Segundo os especialistas o uso da camisinha é a melhor maneira de se prevenir. Infelizmente  em nome do “prazer” e pela ignorância sobre o impacto da AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis na saúde física e mental das pessoas, o uso do preservativo nas relações sexuais é baixíssimo.

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Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 94% dos brasileiros sabem que o preservativo é a melhor maneira de prevenção contra contaminação das ISTs, porém 45% da população sexualmente ativa não usou preservativo nos últimos 12 meses.

Além do preservativo, a populações em situação de maior vulnerabilidade, pode se beneficiar com o uso contínuo de 1 medicamento que contém 2 antirretrovirais, que reduzem a probabilidade de infecção pelo HIV (PrEP – Profilaxia Pré-Exposição ). Já a PEP – Profilaxia Pós-Exposição – é o uso de medicamentos antirretrovirais em até 72 horas após possível contato com o vírus HIV em situações como sexo desprotegido, violência sexual, acidente ocupacional. Deve ser tomada por 28 dias. Tanto a PEP quanto a PrEP são disponibilizadas gratuitamente nos serviços de saúde específicos. É importante observar que ambas não devem servir como substitutas à camisinha.

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Segundo o Boletim epidemiológico HIV/AIDS – 2019 da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, de 1980 a junho de 2019, foram identificados 966.058 casos de AIDS no Brasil. O país tem registrado, anualmente, uma média de 39 mil novos casos de AIDS nos últimos cinco anos. Desde o início da epidemia (1980) até 31 de dezembro de 2018, foram notificados no Brasil 338.905 óbitos tendo o HIV/AIDS como causa básica.

Ainda não há cura para a AIDS mas é possível manter a doença controlada. Com o diagnóstico precoce é possível manter a doença crônica controlada.  Muitas pessoas conseguiram com o tratamento manter a carga viral indetectável e intransmissível, convivendo com a doença como outra enfermidade crônica qualquer, desde que façam uso de medicação diária e cuidem de sua saúde. Mas é a saúde mental que favorece o autocuidado, sendo a rede de apoio de amigos, familiares e profissionais fundamental para fortalecer a resiliência e a autoestima.

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Dia Mundial de combate a AIDS: autocuidado e resiliência vencem o preconceito

Para conscientizar a população sobre as medidas preventivas e o tratamento da doença, começa hoje a campanha Dezembro Vermelho em Brasília com uma série de ações. Uma delas é a exposição “Indetectável – o efeito de estar indetectável em cada uma dessas vidas é detectável: basta olhar nos olhos delas para ver”, na Estação Central do Metrô.

A mostra é composta de fotos, relatos e histórias de 13 pessoas que estão com vírus HIV indetectável no organismo. E mais do que isso, um desabafo sobre a luta contra o preconceito, medos e angústias e também as motivações para se manter vivo.

Segundo os infectologistas da Secretaria de Saúde, estar indetectável significa estar com a doença controlada, sem sinal de adoecimento e sem transmissão do vírus através do sexo. Isso é possível, graças ao uso regular de medicamentos antirretrovirais, o que permite a recuperação do sistema imunológico.

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O Dezembro Vermelho é uma campanha de conscientização para o tratamento precoce da síndrome da imunodeficiência adquirida e de outras infecções sexualmente transmissíveis. Assim como acontece com o Outubro Rosa, sobre o câncer de mama, e Novembro Azul, sobre o câncer de próstata, o Dezembro Vermelho tem como objetivo chamar atenção para as medidas de prevenção, assistência e proteção e promoção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV.

Durante o Dezembro Vermelho  o Núcleo de Testagem e Aconselhamento (NTA) também vai distribuir autotestes de HIV, preservativos e dar orientações sobre prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

O tratamento para o HIV é gratuito e feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Brasília, o teste rápido para HIV está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Núcleo de Testagem e Aconselhamento (NTA), localizado na Rodoviária do Plano Piloto.

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Núcleo de Testagem e Aconselhamento (NTA), na Rodoviária do Plano Piloto

Unidades públicas de saúde especializadas:

  • Hospital Dia: Asa Sul EQS 508/509 – Asa Sul
  • Ambulatório do Hospital Regional de Sobradinho (HRS): Quadra 12 CJ B LT 38 Sobradinho
  • Ambulatório do Hospital Regional Ceilândia (HRC): QNM 27 Área Especial 1 QNM 28
  • Ambulatório do Hospital Universitário de Brasília: SGAN 605, Av. L2 Norte
  • Policlínica de Taguatinga: C 12 Área Especial nº 01, Setor Central
  • Policlínica do Lago Sul: QI 23 do Lago Sul
  • Policlínica de Planaltina: Área Especial entre Vias NS 01 WL04
  • Policlínica do Gama: Área Especial nº 1 – Setor Central

A Aids é a manifestação sintomática do Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) e, portanto, só aparece quando ele não é controlado. O que ocorre é uma queda no sistema imunológico, que fica vulnerável a doenças oportunistas, como pneumonia e tuberculose.

Até os anos 1990, casos de infecção pelo vírus eram descobertos somente quando as pessoas já haviam atingido o estágio da Aids. Naquela época, o Brasil ainda estava em fase de descoberta do vírus e desenvolvia as primeiras formas de tratamento. Atualmente, com a detecção precoce do HIV, o número de casos de Aids tende a ser cada vez menor.

Mesmo assim é preciso ficar atento e se proteger. A VIDA é mais forte que a AIDS.