Barroso explica protagonismo do STF e lança agenda para o Brasil durante evento em Paris

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Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, no Fórum Internacional Esfera Paris 2023

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, abriu na manhã desta sexta-feira, 13 de outubro, o evento Fórum Internacional Esfera Paris 2023, e listou o que considera a principal agenda do Brasil para esse momento e explicou que o protagonismo do Supremo se deve à abrangência da Constituição do Brasil.

O constituinte achou por bem cuidar de muitas matérias. É retirá-las da política e colocá-las no Direito”, disse Barroso, que, logo em seguida, completou: “É preciso que o interesse seja muito chinfrim para não chegar ao Supremo Tribunal Federal”.

O ministro Barroso foi convidado a falar para autoridades e empresários no evento Esfera Internacional, realizado na Place Vendôme, um dos endereços mais charmosos da capital francesa. O presidente do STF ressaltou a importância de o Brasil assumir uma liderança ambiental no mundo.

O presidente do STF mencionou a Constituição como o ponto de partida para a sonhada união nacional em prol de sete temas que considera fundamentais para o desenvolvimento do país. Começou com o combate à pobreza: “Seis pessoas têm a riqueza de 100 milhões, o que nos mostra o grau perverso da desigualdade no país”, disse Barroso. Ele mencionou ainda o desafio de melhoria dos índices de crescimento econômico, que, entre 2002 e 2022 ficou na média em 2,2%. “Sem voltar a crescer, não haverá o que distribuir”.

Listou “as relações do trabalho, que reúnem mais de cinco milhões de processos”; as matérias tributárias, tributos, que ele espera que seja diminuído com a reforma, e as questões relacionadas à saúde, ou seja, acesso a medicamentos de alto custo e planos de saúde. Assuntos que, na avaliação do presidente do STF, precisam ser resolvidos.

O presidente da Suprema Corte incluiu saneamento básico como uma grande necessidade e a área ambiental como a grande promessa para o futuro. “O Brasil precisa assumir sua liderança ambiental no mundo. A sustentabilidade tem sido adiada no mundo. Decisões urgentes têm sido adiadas e as consequências virão daqui a 25 anos”, diz ele, referindo-se às decisões necessárias na área ambiental. “Seca na Amazônia, ciclones no Rio Grande do Sul nos mostram que essa não é uma questão abstrata”, comentou, ao mencionar que é falsa a visão de antagonismo entre o ambiental e o agro.

“Sem uma educação básica de qualidade não daremos o salto que o Brasil precisa” e, em seguida, mencionou o preconceito contra a livre iniciativa e o empreendedorismo no Brasil. “A iniciativa privada é a maior geradora de riquezas, sem ela não teremos crescimento econômico”. E, em seguida, mencionou a área que considera mais importante para o país dar o salto, ciência e tecnologia. “Quando éramos jovens, as grandes empresas eram as exploradoras de petróleo, as da indústria automotiva e de equipamentos, como a General Eletric. Hoje, são Apple, Amazon, Facebook, Google, Microsoft. É a nova economia e, se não investirmos em ciência e tecnologia, vamos ficar para trás nessa nova economia”, alertou Barroso.

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Nicolas Sarkozy ex-presidente francês, participa do painel “Brasil, o melhor negócio do mundo”, do Fórum Internacional Esfera Paris 2023

Na sequência, Nicolas Sarkozy ex-presidente francês, participou do painel “Brasil, o melhor negócio do mundo” e, logo no início da sua fala, sugeriu que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, está pronto para ser presidente do Brasil.

“O presidente da Corte Suprema fez um discurso incrível. Senhor presidente [se dirigindo a Barroso], o senhor está pronto para uma nova Presidência, uma outra Presidência. Tenha cuidado senhor presidente, foi um discurso excelente, eu entendi tudo: trata-se de um discurso de orientação política, muito mais do que um discurso de orientação jurídica, muito interessante”, afirmou Sarkozy.

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