Leandro Grass: Brasília foi sonhada para ser um modelo de civilização, um modelo de democracia

O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, durante entrevista ao CB Poder, nesta segunda-feira 14 de abril, aos jornalistas Carlos Alexandre e Mila Ferreira, disse que todo o Distrito Federal deve ser preservado assim como o centro de Brasília e que os jovens compreendam a importância da conservação do estado.
Grass falou sobre a restauração das obras vandalizadas nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e disse que só no Palácio do Planalto, foram 20 importantes obras de artes. Contou que a reconstrução das obras destruídas foi possível graças ao empenho e parceria com instituições. “As obras foram tratadas pelo Iphan em parceria com a Universidade Federal de Pelotas, ao longo de 2024, com a atuação de estudantes, professores, conservadores e restauradores. Foi um lindo exercício de amor pelo Brasil, de trazer de volta o que é nosso”.

Sobre a depredação dos monumentos de Brasília – Palácio do Planalto, Supremo e Congresso Nacional, -Leandro Grass falou dos projetos de educação patrimonial que foram desenvolvidos. “Desenvolvemos um trabalho em duas escolas públicas com crianças e adolescentes para entenderem o 8 de janeiro e compreenderem a importância da conservação do estado”.
Grass prega que preservar a história é um passo essencial para reduzir as desigualdades.

“A capital foi sonhada para ser um modelo de civilização, um modelo de democracia. As consequências sociais do crescimento desorganizado são muito perversas. Podemos ver na qualidade das habitações, na falta das arborização em cidades satélites e problemas de modernidade urbana”, disse o presidente do Iphan.
Ele também comentou sobre o projeto de revitalização de espaços públicos como a Praça dos Três Poderes com acessibilidade, drenagem e iluminação.
“Não queremos somente o centro de Brasília preservado. Queremos o Distrito Federal como um todo, essa grande área metropolitana, com as mesmas características que Brasília tem. Só conseguiremos isso com políticas públicas”, disse Grass.

Grass tem dito em suas entrevistas que “recuperar os centros históricos, preservar os bens tombados e fomentar os bens imateriais, como as expressões da cultura brasileira, frevo, forró, capoeira, roda de samba e tradições”, são essenciais para o combate a desigualdade, fazendo do patrimônio uma ferramenta de desenvolvimento econômico, de geração de oportunidades e de educação e que seja mais acessível à população.
Como disse o presidente do Iphan ao CB Poder, a gente só cuida e ama aquilo que conhece. Se a gente não conhecer não vai ter zelo e nenhuma atitude de cuidado.

Brasília, inaugurada como capital do Brasil em 1960, é uma cidade planeada que se distingue pela sua arquitetura branca e moderna, essencialmente concebida por Oscar Niemeyer. Primeiro conjunto urbano do século XX a ser reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1987.
O título dado à Brasília, permite que o conceito modernista dos idealizadores da cidade, o urbanista Lúcio Costa e o arquiteto Oscar Niemeyer, se mantenha inalterado. Para a Unesco, Brasília foi um marco na história do urbanismo, e por isso, que monumentos, edifícios ou sítios que sejam significativos para a humanidade e que tenham valor histórico, científico, arqueológicos, estético ou antropológico, sejam preservados e transmitidos a futuras gerações.

O Plano Piloto, conjunto urbanístico-arquitetônico projetado por Lúcio Costa, foi inscrito no Livro de Tombo Histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1990.
Para quem deseja conhecer o primoroso trabalho de restauro das obras de arte danificadas durante os ataques de 8 de janeiro de 2023, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional lançou um livro e um documentário sobre o lamentável episódio.
Rastro de destruição do 8 de janeiro de 2023









Fotos: Reprodução













